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14
Fev14

a lareira da sala aquece
este frio de estar sem ti
a noite lá fora acalmou
já não ouço o vento na rua
e numa aparente calma
os meus pensamentos
são vasculhados pela tua imagem

não sei se corpo ou se alma
e neste silêncio quase quieto

que grita em mim a tua ausência
vens-me perturbar com a tua presença
como uma vândala que me rouba
tomando conta de de mim em assalto
este meu sossego agora agitado

dentro de mim ficas em imagem
e tentas o dialogo da tentação

para não levares contigo esta ilusão

tento exorcizar-te com os impulsos
vindos do bater deste meu coração
e expulsar-te através das minhas veias

pelas pontas dos dedos de minhas mãos

mas ele quase em colapso já bate fraco
sem força suficiente para te fazer sair
só me resta tentar recorrer aos meus olhos
para que no fogo da lareira
veja o teu reflexo na chama
e poder agarrá-lo com a mão
para coloca-lo a arder dentro de mim
e tentar queimar a tua imagem
que tanto inflama a minha carne
e incinera a verdade da minha alma

parte a imagem fica o reflexo
não sei qual das duas faz mais nexo
a que mais dentro de mim mexe e remexe

a que mais arde e a que mais queima

em imagem ou reflexo aqui ficaste
ainda daqui não partiste
se tens mesmo que permanecer
agitando memórias e recordações
deixa-me ao menos uma vez mais

olhar teus olhos e deixar-te uma rosa
para que me traga de novo o meu sonho
de seres a minha estrela em dia de namorados


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09
Fev14

a mágoa de um sonho

por Jorge Oliveira



meus sonhos
tentam atenuar
a realidade
da minha alma
 

a mágoa
de um sonho


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07
Fev14


eu desejo e não desejo o teu amor
eu desejo e não desejo troca-lo por uma flor

eu tenho e não tenho por ti uma grande dor
eu tenho e não tenho troca por um cálice de licor

eu posso e não posso ter a tua mão
eu posso e não posso troca-la por uma ilusão

eu sonho e não sonho ter-te comigo nua
eu sonho e não sonho trocar-te pela lua

eu sinto e não sinto andar contigo no mesmo caminho
eu sinto e não sinto sair a voar como um passarinho

eu choro e não choro por esta minha desgraça
eu choro e não choro por detrás de uma vidraça


eu quero e não quero amar-te assim
eu quero e não quero trocar-te por um fim



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24
Jan13

levei-lhe umas sandálias...

por Jorge Oliveira


vi uma criança à beira da estrada
pareceu-me abandonada
e pelo frio amargurada

quis roubar alguns nuvens
para lhe fazer uma casa de pedra
e fui com ela de viagem
até à próxima primavera

abri uma porta para o céu
para no azul voar com os pássaros
cortar o vento em direcão ao mar
os campos e montanhas admirar
afinal toda a criança é um guerreiro
que sabe montar um cavalo alado

deixe também uma janela aberta
no sentido do caminho das estrelas
para à noite passear com elas
entre tempestades de prata
no fascínio do som dos sonhos
a verterem de dois olhos risonhos

ah… quase não me lembrava!
levei-lhe umas sandálias...


Direitos da imagem: can stock photo

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16
Jan13

criação de beleza

por Jorge Oliveira

perdi os contornos da vida
não foi este sentir que eu queria
em pesadelos que me atormentam
as noites frias e sem magia.

pego numa folha de papel
tento desenhar teu rosto
e fazer-te um destino meu
por onde vagueiam os mistérios
dos prazeres intensos do corpo

mas nunca desenhei o que sentia
cansado e desiludido
troquei-te por um sonho
num breve sono em que morria
e foi ali que te criei
inventei só uns olhos
para cruzar nosso olhar
uns lábios para um beijo
e um corpo para amar

beleza de tão encanto
ou sublime fantasia
porque te criei assim?
não me perguntes a razão
o que sinto dentro de mim
não tem explicação

mas sonhei-te tão leve
quase sem presença
sem pertenceres a alguém
eras apenas minha pertença
que não pertence a ninguém

foi assim que te criei
- beleza em presença -
com o papel em ausência

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