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16
Mar14


há sempre um princípio e um fim
um olá a uma vida pela primeira vez
e um adeus a despedir-se de mim
uma morte que chega com lividez 

adeus… addio… adieu… adiéos… 
é por do sol a morrer no horizonte
no princípio da noite a nascer a jusante
e a génese a trazer consigo um adeus

e tu que vieste do meu coração – adeus
parte sempre alguém em alguma parte
para gerar um novo mistério de deus

volátil vida a deixar qualquer saudade
sonhos passados que foram meus e teus
o início e o fim de uma vaga eternidade

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09
Fev14

holocausto do fim

por Jorge Oliveira

 

agora não, agora não posso
não posso destruir inocentes
com este meu sofrimento
que arrasta por todo o lado o mal
vou recordar este momento
agora já passado
quero traze-lo para o futuro
quando já não houver gente
para que num dia como este
em que faz frio na rua
e a chuva cai desamparada
eu possa sair lá para fora
para rebentar com este grito
abafa-lo com o vento
apagá-lo com a água
e assim destruir esta dor
nesse dia ficarei eterno
e liberto de mim
sem ter interferido

 

com o holocausto do fim

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07
Fev14


eu desejo e não desejo o teu amor
eu desejo e não desejo troca-lo por uma flor

eu tenho e não tenho por ti uma grande dor
eu tenho e não tenho troca por um cálice de licor

eu posso e não posso ter a tua mão
eu posso e não posso troca-la por uma ilusão

eu sonho e não sonho ter-te comigo nua
eu sonho e não sonho trocar-te pela lua

eu sinto e não sinto andar contigo no mesmo caminho
eu sinto e não sinto sair a voar como um passarinho

eu choro e não choro por esta minha desgraça
eu choro e não choro por detrás de uma vidraça


eu quero e não quero amar-te assim
eu quero e não quero trocar-te por um fim



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14
Out13

o meu diário

por Jorge Oliveira


não olhem para mim
não leiam o que escrevo
eu não guardo nada
apenas o meu rosto
e um diário
só com a ilusão timbrada
não conheço as palavras
nem procuro conhecer razões
dessa ausência em forma
de certeza rabiscada

moro numa redoma
de folhas brancas
à espera de serem escritas
por seres eruditas
com verbos já esgotados

não sou a metade de nada
nem o princípio nem o fim
não tenho lágrimas
só emoções a definir
um silêncio de sensações
aqui estou sem mim
neste diário feito assim
escrito com o vento
que vem através de ti

e me diz sem eu saber
o que chega da alma
é um tudo e um nada
(voz de um horizonte de bruma)
silêncio desconhecido

não sei se este é o modo
que deveria ter vivido
o que ando a fazer?
a encontrar o desejo
sem ter o seu prazer?

será insano não perceber
este diário que escrevo
coisas que se compõem
sem se poderem ler ou ver
(palavras nunca ditas
nem nunca se irão dizer)

será este meu diário
uma verdadeira convicção
distinta de qualquer ilusão?
será que os meus dedos fingem
para minha alma não padecer?
mas para quê querer saber
se o meu diário é uma crença?
haverá alguma diferença?
sem a certeza da (in)compreensão
peço a alguém por ai

a alguém que seja ninguém
que acabe este diário
e o mostre para mim
(deixo estas linhas em branco
por entre espaços babilónicos…)
... ______________________
________________________
_______________________...

leve tão leve este explicar
incólume às mãos de ninguém
sem deixar rasto do seu gesto
para manifestar a sua presença
só sei que pertence a alguém
que me trocou o não pelo ser
que prolongou um sonho
sem eu próprio saber
(o diário ficou por escrever)

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