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10
Mar14

falas em silencio comigo
por entre a tua voz
murmúrio cálido
do meu sossego
a aquecer o meu pensamento
a derreter o aço das palavras
que vagueiam sozinhas
para moldar a minha alma
em forma de baú
onde irei guardar
lembranças da tua fala

quando a saudade
me vier tocar
poderei então abri-lo
com os códigos
dos nossos segredos
e remexer nas tuas palavras
que protejo dentro do peito

diamantes lapidados
ouro de alto quilate
rubis safiras
esmeradas alexandritas
topázios turquesas
perolas negras…

jamais as poderei perder
valem todo o meu viver

o elo de te ter e não ter
sussurros de ti
escolhidos para mim

e nada mais vale
do que este valioso tesouro
palavras nunca ditas antes
mas que guardas em mim
em timbre melodioso
da voz de Paula Fernandes
é este inigualável valor
de quão elevado riqueza
que faz um homem pobre
de palavras sem valia
deter um preciso tesouro
dos tons da tua melodia

haverá alguém
mais rico do que eu?


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26
Fev14
a noite esta sem lua
não vejo as sombras da vida,
a tua ausência torna as horas
uma a uma cada vez mais frias

no campo

o branco das flores 
das amendoeiras
impedem a tua presença
são tão breves os seus dias
para poderem mostrar sua beleza
que eu não posso negar
a luz fusco da escuridão
para em seus últimos momentos
ficar por lá as contemplar

a noite avança o frio queima
a aragem vem na escuridão
para esconder as silhuetas
tatuadas de desilusão

pétalas caem pelo chão
deixando um tapete branco
que o vento vai desenrolando
à medida dos meus passos
perfumando de branco

a paisagem do intenso preto
vida e morte
sonho e hediondeza
a satisfazer o prazer da noite
e a elogiar a tua ausência

só ouço vozes e murmúrios
dos fantasmas do dia
que ainda insistem no teu rosto
e diante uma janela embaciada
tentam criar a tua presença

a noite sabe mais do que devia
sabe bem que é escura
por mais que tente tatear
ouvir e cheirar na sua negrura
não deixa ver o lugar
onde habitas e me podes amar

eu não te vou poder achar
lembro-me que em menino
eu não tinha medo do escuro
apenas receava não encontrar
a bela e monstro a namorar
 

agora entendo
esta minha decepção
afinal a bela é ela


o monstro eu não o encontrei
foi então que percebi
que o monstro sou eu
e eu nunca notei

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04
Fev14

sonho-te apenas perto de mim

por Jorge Oliveira


tão perto
estás ao pé de mim
tão longe
estou eu
presente em ti

tão perto
está tu no meu sonho
tão longe
estou eu
em teu desejo

tão perto
está este poema
dentro de mim
tão longe
o sentes
no coração em ti

este perto
que se faz longe
e este longe
que é tão perto
faz um perto de mim
por sentir-te tão longe
e num perto fim

se eu pudesse
fazer do perto longe
e o longe perto
tudo era entre mim e ti…

mas eu não posso...

e assim distante de ti
sonho-te apenas

perto de mim

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18
Jan13

vem beber um copo comigo

por Jorge Oliveira

traz o inverno este frio
das nuvens já caem as cores
e ouve-se seus gemidos no céu

e a terra

está cinzenta e pálida
pede o branco da neve
mas esta não vem - tarda

e Janeiro

é este frialdade sepulcrário
onde só a chuva se delicia
nas árvores doridas
nos frutos em mágoa
da primavera que não chega

e eu

sinto-me a seguir ao contrário
cada noite é mais fria
não há mulher que se desnude
os beijos gelam nos lábios
apenas chove em meus olhos
só o perfume da lareira me acalma

e tu
 

quebra este gelo feito da dor
traz um garrafa de vinho
eu tenho uma lareira e o calor
vem beber um copo comigo...

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