Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

09
Mar14

brilho que emana de si

por Jorge Oliveira

vou pedir ao céu para me dar
uma estrela só para mim
para que eu possa superar
a saudade que sinto de ti
contemplando o teu olhar
no brilho que emana de si

Autoria e outros dados (tags, etc)

05
Mar14

em quarta-feira (de cinzas)

por Jorge Oliveira
...continuação
 
passaram por mim
as três estações
contemplo agora
nas paredes do meu sonho
as telas onde tu
um dia surgiste

és um branco invisível
acariciado pela neve
onde o sol
por entre ramos de árvores
tenta iluminar o teu reflexo

e eu queria tanto deitar
a tua insustentável nudez
no colo da sombra deste amar
de quão frágil solidez

a neve aquece certamente
e a sua água correrá fluente
da nascente da tua imagem

o teu corpo
é levado pelos rios
de outra
 primavera verão ou outono
assim como sucede
aos fins dos dias do entrudo
(tantos como as três estações)

ó quisera eu ter sido brincadeira
deste carnaval
as telas pintadas à minha maneira
mas tudo me correu mal...

começa hoje a quaresma
vou procurar redenções
para a minha pecadora alma
deste meu desejo carnal

enterro agora a tua gravura
e não alimento mais recordações

só esta estação de inverno
com o seu intenso frio
ainda não terminou

tudo o resto acabou
o carnaval em fim de dias
e as minhas quatro poesias

em quarta-feira (de cinzas)
Fim

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

04
Mar14

meio dia de terça-feira

por Jorge Oliveira
...continuação
 
tanto me faz 
se és loira ruiva ou morena
se os teus cabelos
e a tua pele
é pintado pelas folhas
amarelas rubras e castanhas
que caiem das árvores
em dia de outono
em qualquer tom
eu te esperei uma vida inteira
 
nua 
na minha frente
não és só outono 
és também primavera verão 
danças com as cores
ao sol e ao vento 
e sussurras palavras de amor 
enquanto te pinto 
na tela dos meus olhos
a beber todos os tons
do teu formoso corpo
 
e assim foste outono
ao meio dia de terça-feira
 
continua...

Autoria e outros dados (tags, etc)

03
Mar14

manhã de segunda-feira

por Jorge Oliveira
 ... continuação
 
ó como me feres
com o teu tom doirado
como é denso o amarelo
dos girassóis 
 
ouro que derrete
na talha dos meus devaneios
tela quente onde arde
o meu corpo a chamar o teu
 
assim te inventei
 
e nesta manhã silenciosa
foste mais que miragem
foste desenho pintura paisagem 
 
num dia de verão
em manhã de segunda-feira
 
continua...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

02
Mar14

tarde de domingo

por Jorge Oliveira

fecho os meus olhos
para encontrar-te nua
deitada sobre um manto
onde repousas o teu olhar
com pétalas de papoilas
a pintar teu corpo

um amanhecer selvagem
com o sol a desfazer
o vermelho das flores
nos teus doces lábios
a esperar os meus

ter-te assim neste jardim
com tanta sensualidade 
a orvalhar os meus sonhos 
por entre os teus seios
e um éter de jasmim

abro os olhos
e escorrego no silêncio
que me faz cair a teu lado

num dia de primavera
nesta tarde de domingo

continua...

Autoria e outros dados (tags, etc)

01
Mar14

a olhar teus olhos

por Jorge Oliveira

soubesse eu
de umas quantas palavras
para poder escrever
o que sinto...

fosse eu um tempo
interminável
em gestos e sentimento
fosses tu a invenção
do meu destino
e eu um mero ser eterno
capaz de viver outra vida...

mas há uma falência em mim
cadente de verbo
e roubada pelo tempo
que me impede de exprimir

fico então a olhar teus olhos

Autoria e outros dados (tags, etc)

26
Fev14
a noite esta sem lua
não vejo as sombras da vida,
a tua ausência torna as horas
uma a uma cada vez mais frias

no campo

o branco das flores 
das amendoeiras
impedem a tua presença
são tão breves os seus dias
para poderem mostrar sua beleza
que eu não posso negar
a luz fusco da escuridão
para em seus últimos momentos
ficar por lá as contemplar

a noite avança o frio queima
a aragem vem na escuridão
para esconder as silhuetas
tatuadas de desilusão

pétalas caem pelo chão
deixando um tapete branco
que o vento vai desenrolando
à medida dos meus passos
perfumando de branco

a paisagem do intenso preto
vida e morte
sonho e hediondeza
a satisfazer o prazer da noite
e a elogiar a tua ausência

só ouço vozes e murmúrios
dos fantasmas do dia
que ainda insistem no teu rosto
e diante uma janela embaciada
tentam criar a tua presença

a noite sabe mais do que devia
sabe bem que é escura
por mais que tente tatear
ouvir e cheirar na sua negrura
não deixa ver o lugar
onde habitas e me podes amar

eu não te vou poder achar
lembro-me que em menino
eu não tinha medo do escuro
apenas receava não encontrar
a bela e monstro a namorar
 

agora entendo
esta minha decepção
afinal a bela é ela


o monstro eu não o encontrei
foi então que percebi
que o monstro sou eu
e eu nunca notei

Autoria e outros dados (tags, etc)

24
Fev14

procuro silêncios

por Jorge Oliveira

em nenhum lugar
o encontro
como será sentir
a sua respiração no vazio?

um só bastaria
para saciar
esta sede e fome
do meu pensamento

tanto mas tanto
é o desejo  de o encontrar
quero parar este ruído
que me está
a corroer os sentidos

- cala-te poema!
procuro silêncios

Autoria e outros dados (tags, etc)

22
Fev14

labirinto sem saída

por Jorge Oliveira

são os teus olhos
que me encantam com tal beleza

um negro escuro transparente
com tua alma espelhada em pureza


um jardim de flores selvagens
onde se inventaram as cores


uma vida vivida num olhar
na verdadeira face da natureza

um jardim de flores selvagens
onde se inventaram as cores

um brilho celestial pelas margens
onde escrevi este frágil poema

um cristal translúcido
que encheu a tinta da minha caneta

num despertar perfumado
a atordoar o caos da minha vida

assim és estro de um ser apaixonado
dentro de um labirinto sem saída


Autoria e outros dados (tags, etc)

22
Fev14


o silêncio sonhou as sombras de ti
nas formas da tua imagem colorida
na memória que se manteve viva
de um certo dia em que eu te vi

agora o silêncio apenas grita a tua vida
nas linhas pretas e brancas do teu perfil
esqueceu-se de ti - partiste nesse dia
apenas recorda a primavera - era abril

as cores do por do sol da lua e o mar
o silêncio nunca as consegue esquecer
(sempre serão lembradas por um olhar)

mas cala-se quando vê uma cor morrer 
não foi uma cor do expetro do arco-íris
foi a cor dos teus olhos na minha íris

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.