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29
Mar14

 

à beira da praia
sinto o pensamento dos rochedos
e em meus lábios arde a flor de sal
recém-chegada da noite

escorre pela garganta seca de silêncio
a inundar o meu corpo de areia
tentando cobrir esta solidão
da sua incapacidade de expressão

e nas ondas surge um vazio
de uma concha fóssil secular
a rasar a vastidão do mar
onde ferve um tempo reprimido

entrego-me ao fundo do oceano
para encontrar outra luz outra vida
suspensa na densidade das águas

aconchego-me nos limos e nas algas
e preso na rede dos meus sonhos
adormeço nos tentáculos de m’alma


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25
Mar14

como sinto a falta dos teus olhos
a falar comigo com teu olhar
quando perturbavas os meus sentidos
e sentia os teus beijos húmidos
em meus lábios desesperados
e me provocavas tanto... mas tanto
fazendo arder os meus desejos

sem me tocares era apenas o olhar 

como era … sim como era…
a expressão penetrante desse olhar
a deslizar no meu corpo
e a afagar a minha respiração
quando teus olhos olhavam os meus

e tudo o que queria era olhar-te de novo
ao nascer do sol logo pela manhã



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23
Mar14

te quero agradecer

por Jorge Oliveira
hoje senti infindas saudades de ti
fui caminhar até à praia para ver o mar
não quis escutar as ondas escolhi o ar
para ouvir o teu coração bater em mim

meus olhos abriram-se para o sol a brilhar
e ceguei nos seus raios onde pude sentir
dentro da minha cegueira a luz do teu olhar
lá longe mas perto da tua família a sorrir

neste anseio sinto meus lábios secos
não é o sol que me está a trazer esta sede
são as saudades de acariciar teus seios
entre beijos num campo de seara verde

na praia espero o dia a passar por mim
ao largo olho os barcos já a regressar
sei que eles não me trazem notícias de ti
mas tocam as águas que te irão beijar

ao luar e à beira-mar passam por ali
amantes descalços em corpos abraçados
deixando para trás marcas de namorados
em aroma de imagens que me levam a ti

lá bem alto no céu as estrelas já brilham
e vejo-te perdida sem nenhuma companhia
grito alto mas não sei bem se me ouviram
- olhem! ali sozinha - a minha estrelinha!

fecho os olhos lentamente para te tocar
ponho dentro da minha mão a tua beleza
e guardo o sorriso que me fez apaixonar

 quando um dia senti por ti esta certeza

não sei mais escrever - dizer o que sinto
os verbos ficam presos na dicotomia
de palavras escritas sem qualquer sentido
e apago este poema por não ser poesia

mas sei que é grande esta imaginação
tanta coisa que pode e não pode ser
eu apenas te quis por no meu coração
e só por isso eu te quero agradecer

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20
Mar14

doce sabor de um amor

por Jorge Oliveira

 

dolente o meu olfato
do perfume de teu corpo
divido-te entre duas tonalidades
harmonia ou engano

uma luz a requerer ser contraluz
e o preto a querer ser branco
abstratismo ou realismo puro
impressionismo ou cubismo de picasso
quiçá dali e seu surrealismo
a dar sentido ao teu corpo nu
nos traços e nas linhas curvas
desengano das minhas mãos
obra prima de arte visionada
de quem de fama não tem nada

ébrio fulgor de um veneno
ou doce sabor de um amor


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18
Mar14


nos meus olhos o amor se deitou
adormeceu com as memórias de ti
e na cama húmida de lágrimas sonhou
na noite das noites que não têm fim

noite escura onde brilham primaveras
de um ébrio amor de um luar ardente 
vindo de céus de estrelas de outras eras
onde dois corpos se amaram loucamente

e no calor da lareira onde me aqueço
queimo paixões de um desejo bem fugaz
nas labaredas de chamas no firmamento

aguardo o tão esperado silêncio de paz
nas cinzas que arrefecem diante o tempo

a reduzir a pó os poemas e quem os faz


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17
Mar14

eu estou lá fora

por Jorge Oliveira


sinto-te perdida nesta vida
viras as costas à tua alegria
e ao amor não sentido ainda

sinto o teu corpo em lamento
uma solidão presa num gemido
no grito que me traz o vento

qual dor qual sofrimento
de um olhar já tão dolorido
de tão sagrado sentimento

recorda - amor - este momento
deste sentir a te sentir agora
num suave e breve fragmento

é hora - tenho que ir embora
eu nunca quisera ser violento
com a tristeza que em ti mora

a alegria de mim é o teu alento
abre a porta - eu estou lá fora


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16
Mar14


há sempre um princípio e um fim
um olá a uma vida pela primeira vez
e um adeus a despedir-se de mim
uma morte que chega com lividez 

adeus… addio… adieu… adiéos… 
é por do sol a morrer no horizonte
no princípio da noite a nascer a jusante
e a génese a trazer consigo um adeus

e tu que vieste do meu coração – adeus
parte sempre alguém em alguma parte
para gerar um novo mistério de deus

volátil vida a deixar qualquer saudade
sonhos passados que foram meus e teus
o início e o fim de uma vaga eternidade

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15
Mar14

partiste sem um adeus
de despedida

não é o amor que dói
é a tua ausência

separa-nos um oceano
um outro lugar distante
                    [a impedir
o toque de nossos corpos

que paisagem te envolve
que silêncios escutas
que olhares contemplas
que amores procuras?...

...que e mais que seria...

não são as palavras
que descrevem a falta
da tua presença em mim
            és tu
e tu não és definição

como não posso exprimir
este tão profundo sentir
imprimo nesta folha preta
o relevo branco de teus traços

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12
Mar14

uma estrela que sorri me olha

por Jorge Oliveira
 
plantei uma roseira
no meu jardim
para oferecer-te uma rosa de mim
mas procurei-te em vão por ai
não te encontrei não te vi

fui ao mar saber de ti
e ao mar eu prometi
que afogava o meu peito
nas ondas criadas pelo vento
em troca da tua imagem

mas o mar é amistoso
verdadeiro e grandioso
devolveu-me uma miragem
e não me quis levar com ele

fez cair a noite que é dele
acabei por regressar do mar
com as minhas lágrimas
ou seriam gotas de água salgada?

não importa o dia estava a findar
voltei ao meu jardim
levei a rosa que colhi
e plantei-a de novo por ali…

olhei o céu naquela hora
e uma estrela que sorri me olha

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10
Mar14

falas em silencio comigo
por entre a tua voz
murmúrio cálido
do meu sossego
a aquecer o meu pensamento
a derreter o aço das palavras
que vagueiam sozinhas
para moldar a minha alma
em forma de baú
onde irei guardar
lembranças da tua fala

quando a saudade
me vier tocar
poderei então abri-lo
com os códigos
dos nossos segredos
e remexer nas tuas palavras
que protejo dentro do peito

diamantes lapidados
ouro de alto quilate
rubis safiras
esmeradas alexandritas
topázios turquesas
perolas negras…

jamais as poderei perder
valem todo o meu viver

o elo de te ter e não ter
sussurros de ti
escolhidos para mim

e nada mais vale
do que este valioso tesouro
palavras nunca ditas antes
mas que guardas em mim
em timbre melodioso
da voz de Paula Fernandes
é este inigualável valor
de quão elevado riqueza
que faz um homem pobre
de palavras sem valia
deter um preciso tesouro
dos tons da tua melodia

haverá alguém
mais rico do que eu?


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