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26
Fev14
a noite esta sem lua
não vejo as sombras da vida,
a tua ausência torna as horas
uma a uma cada vez mais frias

no campo

o branco das flores 
das amendoeiras
impedem a tua presença
são tão breves os seus dias
para poderem mostrar sua beleza
que eu não posso negar
a luz fusco da escuridão
para em seus últimos momentos
ficar por lá as contemplar

a noite avança o frio queima
a aragem vem na escuridão
para esconder as silhuetas
tatuadas de desilusão

pétalas caem pelo chão
deixando um tapete branco
que o vento vai desenrolando
à medida dos meus passos
perfumando de branco

a paisagem do intenso preto
vida e morte
sonho e hediondeza
a satisfazer o prazer da noite
e a elogiar a tua ausência

só ouço vozes e murmúrios
dos fantasmas do dia
que ainda insistem no teu rosto
e diante uma janela embaciada
tentam criar a tua presença

a noite sabe mais do que devia
sabe bem que é escura
por mais que tente tatear
ouvir e cheirar na sua negrura
não deixa ver o lugar
onde habitas e me podes amar

eu não te vou poder achar
lembro-me que em menino
eu não tinha medo do escuro
apenas receava não encontrar
a bela e monstro a namorar
 

agora entendo
esta minha decepção
afinal a bela é ela


o monstro eu não o encontrei
foi então que percebi
que o monstro sou eu
e eu nunca notei

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24
Fev14

procuro silêncios

por Jorge Oliveira

em nenhum lugar
o encontro
como será sentir
a sua respiração no vazio?

um só bastaria
para saciar
esta sede e fome
do meu pensamento

tanto mas tanto
é o desejo  de o encontrar
quero parar este ruído
que me está
a corroer os sentidos

- cala-te poema!
procuro silêncios

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22
Fev14

labirinto sem saída

por Jorge Oliveira

são os teus olhos
que me encantam com tal beleza

um negro escuro transparente
com tua alma espelhada em pureza


um jardim de flores selvagens
onde se inventaram as cores


uma vida vivida num olhar
na verdadeira face da natureza

um jardim de flores selvagens
onde se inventaram as cores

um brilho celestial pelas margens
onde escrevi este frágil poema

um cristal translúcido
que encheu a tinta da minha caneta

num despertar perfumado
a atordoar o caos da minha vida

assim és estro de um ser apaixonado
dentro de um labirinto sem saída


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22
Fev14


o silêncio sonhou as sombras de ti
nas formas da tua imagem colorida
na memória que se manteve viva
de um certo dia em que eu te vi

agora o silêncio apenas grita a tua vida
nas linhas pretas e brancas do teu perfil
esqueceu-se de ti - partiste nesse dia
apenas recorda a primavera - era abril

as cores do por do sol da lua e o mar
o silêncio nunca as consegue esquecer
(sempre serão lembradas por um olhar)

mas cala-se quando vê uma cor morrer 
não foi uma cor do expetro do arco-íris
foi a cor dos teus olhos na minha íris

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21
Fev14

onde a irei encontrar

por Jorge Oliveira
em tão elevada leveza
sinto minha alma elevar-se
para além da natureza

um céu para tocar
ou um corpo de mulher
para poder amar

e assim vivo eu
com a minha incerteza
nesta noite de breu

eu quero sentir
o vulto de luar
ou imagem de mulher
que avisto com um véu
a encobrir seu corpo
ao léu por entre o céu
e a estrela polar

vou seguir para o norte
pelos caminhos do mar
quem sabe seja o sinal
onde a irei encontrar

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foi tão deslumbrante o momento de a ver sorrir
era verdadeira a expressão dos seus sorrisos
longes da minha infância já desaparecidos
momentos de puro menino que ela fez surgir

manifesto de sentimentos do meu tempo feliz
e foi assim de si a minha primeira impressão
com a vida a ser sentida como uma recordação
movida com a grandeza da maior força motriz

uma força histórica capaz de degelar os himalaias
inverter o percurso natural das águas dos rios
e ter evitado a evolução das árvores para as olaias

e te-las metamorfoseadas numa nova revelação
um menino transformado num homem de risos
pela mulher que fecundou sorrisos no seu coração

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19
Fev14

pintados por lápis-lazúli

por Jorge Oliveira


o meu coração traz uma flor
flor de amendoeira despida
no frio e frente ao mar
onde abelhas a vêm polinizar
a fazer nascer o mel de ti

com doce aroma de inverno
e um cheiro azul do mar
adormecido pelo sol
nas areias doiradas da praia

é assim o meu coração
em pleno mês de fevereiro
neste Algarve branco de neve
onde as águas e o céu
são capaz de nos aquecer
quando pintados por lápis-lazúli


Foto: Jorge Oliveira 2014 

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18
Fev14

este meu estado delirante

por Jorge Oliveira


fecho os olhos e esqueço que te vi
num sonho que trouxe a saudade
tal como se fosse visitar a eternidade
onde habita a tua presença em mim

ó como te tenho viva na lembrança
perpétuo amor que nas recordações ficou
imagens agora trazidas em tão ligeiro voo
por pomba branca que em minha mão amansa

traz segredos das memórias de sua viagem
a cortar o vento e a abrir a passagem
pelas quimeras dos teus desejos de amante

quem me dera estar de novo com ela
(ela era tão extraordinariamente bela)
… desculpem este meu estado delirante

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17
Fev14

viver eternamente em mim

por Jorge Oliveira

ajoelho-me perante a tua imagem
nos meus olhos eu já senti os teus
puro encanto de tão esbelta paisagem
ah! como fui eu um dia dizer-te adeus!

o que sonhei amei a dor o amor
pusesse eu os meus sonhos em sangue
para poder dar-lhes o seu devido valor
quantas vezes pensei nesse instante

os meus olhos nos teus assim choraram
e senti estranha tristeza em tanta mágoa
que meus olhos em tal pranto cegaram

hoje por saber de tudo isto morria por ti
afogava meu corpo dentro de tua alma
para poderes viver eternamente em mim

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15
Fev14

sentidos sagrados

por Jorge Oliveira
desejo deitar-me contigo
pode ser já... pode ser amanhã
mas que faça frio na rua
eu apenas quero sentir-te
quente numa cama comigo nua

juntar a minha pele à tua
tatear teu corpo e lê-lo em braille
sentir com suavidade o teu embale
pelas minhas delicadas caricias

e que às células de tua derme
partilhem o seu calor com o meu
fundi-las à mesma temperatura
e se essa chama invocar o amor
não… eu não irei querer amar-te

quero antes sentir o teu mundo
como se fosse também o meu
despido de sensações que nos enganam
só os nossos corpos nus encostados
nos mútuos tecidos que se discirnam
por silêncios incontidos em si

e libertos do vício do sexo
podemos exalar nas paredes do quarto
o espectro de melífluas quimeras
a unir muito… mas muito… mais perto
as nossas emoções puras e etéreas

e sem que os corpos hajam copulado
será certo que irão sentir forte orgasmo
com os corpos e os corações ligados
num coito de sentidos sagrados

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