Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


24
Jan13

levei-lhe umas sandálias...

por Jorge Oliveira


vi uma criança à beira da estrada
pareceu-me abandonada
e pelo frio amargurada

quis roubar alguns nuvens
para lhe fazer uma casa de pedra
e fui com ela de viagem
até à próxima primavera

abri uma porta para o céu
para no azul voar com os pássaros
cortar o vento em direcão ao mar
os campos e montanhas admirar
afinal toda a criança é um guerreiro
que sabe montar um cavalo alado

deixe também uma janela aberta
no sentido do caminho das estrelas
para à noite passear com elas
entre tempestades de prata
no fascínio do som dos sonhos
a verterem de dois olhos risonhos

ah… quase não me lembrava!
levei-lhe umas sandálias...


Direitos da imagem: can stock photo

Autoria e outros dados (tags, etc)

23
Jan13

dentro de mim sinto

por Jorge Oliveira


que faço eu de ti
se porém não sei de mim?

já me faltam os poemas
acabaram-se as palavras

a poesia são apenas lágrimas
nada nasce no que sou
acabou a inspiração
que nunca antes começou

só compreendo o meu coração
sou criança a aprender a vida
com problemas de expressão
e por nada saber de amores
dou-te o que conheço: flores

acabei agora por escrever
que sou mera  ilusão
tudo o que não queria ser
acaba nesta conclusão
 
de mim continuo sem saber
e de ti só recordo o sorriso
de tamanha admiração

que dentro de mim sinto

Autoria e outros dados (tags, etc)

19
Jan13

almas e corpos em orgia

por Jorge Oliveira


retirei a capa dos meus sonhos
a andar por ai nas noites escuras
e em golpe rápido cortei-lhe a garganta
para que a sua voz tentadora
não enfeitice mais ilusões

ainda a confundo nas sombras
abano a solidão para ter a certeza
que afastei todo o sofrimento
já não está quem não chega

a chuva de hoje lançou à sarjeta
esta falsa vida de querer ser
este inexplicável olhar de ver
almas e corpos em orgia



Autoria e outros dados (tags, etc)

18
Jan13

vem beber um copo comigo

por Jorge Oliveira

traz o inverno este frio
das nuvens já caem as cores
e ouve-se seus gemidos no céu

e a terra

está cinzenta e pálida
pede o branco da neve
mas esta não vem - tarda

e Janeiro

é este frialdade sepulcrário
onde só a chuva se delicia
nas árvores doridas
nos frutos em mágoa
da primavera que não chega

e eu

sinto-me a seguir ao contrário
cada noite é mais fria
não há mulher que se desnude
os beijos gelam nos lábios
apenas chove em meus olhos
só o perfume da lareira me acalma

e tu
 

quebra este gelo feito da dor
traz um garrafa de vinho
eu tenho uma lareira e o calor
vem beber um copo comigo...

Autoria e outros dados (tags, etc)

17
Jan13

poema sem palavras

por Jorge Oliveira

fujo das palavras
que me secam a alma
que conversam comigo
antes de escrever
discursam e discursam
lado a lado
por fim só
o absoluto silêncio
interrompido
pelo som oco
do pousar da caneta
em cima da mesa
na folha branca
que me enche a alma


Autoria e outros dados (tags, etc)

16
Jan13

criação de beleza

por Jorge Oliveira

perdi os contornos da vida
não foi este sentir que eu queria
em pesadelos que me atormentam
as noites frias e sem magia.

pego numa folha de papel
tento desenhar teu rosto
e fazer-te um destino meu
por onde vagueiam os mistérios
dos prazeres intensos do corpo

mas nunca desenhei o que sentia
cansado e desiludido
troquei-te por um sonho
num breve sono em que morria
e foi ali que te criei
inventei só uns olhos
para cruzar nosso olhar
uns lábios para um beijo
e um corpo para amar

beleza de tão encanto
ou sublime fantasia
porque te criei assim?
não me perguntes a razão
o que sinto dentro de mim
não tem explicação

mas sonhei-te tão leve
quase sem presença
sem pertenceres a alguém
eras apenas minha pertença
que não pertence a ninguém

foi assim que te criei
- beleza em presença -
com o papel em ausência

Autoria e outros dados (tags, etc)

15
Jan13

para teu nome encontrar

por Jorge Oliveira

tanto me agito
nada é imenso
nem intenso grito
de um mar doído
do som da água
de tuas lágrimas
a caírem da lua

tudo é silêncio
a pintar teu rosto

com um poema
de fim de noite

entre meus dedos
fogem pombas
em direção ao céu
onde cintila
o teu olhar

soletro todas
as estrelas
para teu nome
encontrar



Autoria e outros dados (tags, etc)

14
Jan13

deixei-te também uma rosa

por Jorge Oliveira



















 

neste dia frígido de janeiro
julgo ter morrido
talvez quando pensava em ti

dormente do frio
num momento qualquer faleci
recordo-me não querer partir
de ainda sentir que tinha algo
que aqui deixei por fazer

algo que não disse
algo que não concluí
algo que omiti

finalmente lembrei-me
e como não te encontrei
já que o meu tempo por aqui
nesta dualidade de mim
estava a chegar ao fim
pensei então escrever

- eu não queria partir
sem primeiro o dizer:

amo-te

ps: deixei-te também uma rosa

Autoria e outros dados (tags, etc)

13
Jan13

em meus braços

por Jorge Oliveira

sinto que te espero
desde do principio da vida
tenho morrido e nascido
por ai tantas vezes
por entre sonhos
de tantas mulheres
que eu nunca vi
mas que ansiaram por mim

tu já foste quem eras
e de novo voltarás
em outro qualquer dia

não sei que tempo a vida tem
nem os lugares de onde vem

só sei que sempre
parto e regresso
e de lá para cá
bastará uma vez
ao deitar de uma noite
ser um pequeno sonho
para acordares
em meus braços

Autoria e outros dados (tags, etc)

11
Jan13

um poema ao céu

por Jorge Oliveira

o corpo ferido de amor
pede auxilio à ausência
a morte vem na palavra

soluça a lua de água
bebida no instante sentido
do erro incerto da solidão
e só já respira a noite
a escutar o odor da luz do sol

já ao longe ouve-se o som da flecha
atirada pelo anjo ferido
que caiu na armadilha do sonho
enganado pela mentira do seu destino

e

morreu

e

agitam-se palavras na mão
lançam-se aos medos da solidão
já não falam e já mais não são
que palavras mortas em mata-borrão

mortas pelos silêncios olvidos
procuram um suposto poeta
perdido na ignorância dos sentidos
nas páginas de um livro sem tinta

será que este desejo embrulhado no véu
que a terra enterrou sem a razão da palavra
pela morte estonteante de solidão rara
pode evocar um poema ao céu?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/3



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.