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29
Nov12

lembro-me do dia

por Jorge Oliveira



lembro-me do dia
em que violentamente
morria sufocado
pela tua saliva

lembro-me do último
sentido do paladar
do veneno enfermo
(sem antídoto ou cura)
dessa louca união

lembro-me de sucumbir
afogado no suor
dos nossos corpos
de tanto esgotados
das suas colisões corporais
a espalhar gemidos infernais

indolor e sem sofrer
não consegui sentir
os seus efeitos colaterais

acidente fatal
sem ninguém para socorrer
fosse para bem ou mal
(desejasse ou não) 
teve que acontecer

lembro-me da minha sorte
após perecer de tanta paixão
deu-se a vida depois da morte


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26
Nov12

és de mim para mim

por Jorge Oliveira





por detrás da janela

entre o vidro fosco

espalhavas teu perfume

de leve pelo vento


estava frio

mas eu senti

um hálito quente

o ruído que se ouvia

na inquieta rua

transforma-se em desejo

e eu te vi nua


eras um retrato

das minhas mãos

onde há muito existias

dentro de mim

e tu não o sabias


sabes agora

que sempre foste

de mim para mim

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25
Nov12

rosa

por Jorge Oliveira


procuro-te
por todos os lugares
tento chegar ao aroma
do teu perfume
numa rosa vermelha
mas não te encontro

a roseira sorri para mim
solta uma pétala
que entra em minha boca
onde posso saborear esta paixão
mas tudo é uma quimera
é outono e tu não estás
apenas uma folha cai
e vem ter comigo a meus pés

fico atento ao vento
esperando ouvir
os teus suspiros
mas não te oiço
e neste ar que respiro
procuro sentir teu corpo
mas não acaricio
a tua suave pele

o vento alegra-me
com outra folha de outono
a cair a meus pés

abro os meus olhos
e não te vejo
não te sinto nem te toco
esta impossível
capacidade de te ter
nos meus sentidos
atira-me para
o labirinto da minha morte
não encontro a saída
que abre a tua porta

fecho os olhos
tentando morrer sozinho

com os olhos fechados
vi uma luz brilhante
(não sei se morria ou vivia)
a luz aproxima-se mais de mim 
e por entre ela
surgia a tua imagem 

via-te agora diante de mim
vieste ter comigo
com a rosa vermelha ao peito

afinal os sentidos enganam
só o sonho repara as suas falhas

atirei as duas folhas que vieram
cair a meus pés
para cima do teu ventre
onde se uniram e fecundaram
um filho meu

a que chamei

ROSA

















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23
Nov12

filho de um deus falso

por Jorge Oliveira



sinto que sou fruto de um engano
nasci filho de um deus falso
no principio não era o verbo
e o verbo não está com este deus
nada em mim é feito por meio dele

vivo num mundo sem verbo
onde os sentidos lêem
com a luz do meu coração
as sensações da minha REALIDADE 
e  onde a alma escreve
com o brilho dos meus olhos
o silêncio dos meus SONHOS

jamais alcançarei o verbo
para conseguir exprimir
o sonho e a realidade deste sentir



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22
Nov12

o meu silêncio

por Jorge Oliveira



como é cruel

esta forma de sentir

este tentar e não tentar
em me exprimir

nas palavras que escrevo


afinal são só palavras

tentando em mentira

plagiar a alma


termino sempre

sem nunca mas nunca
conseguir expressar

o meu silêncio

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21
Nov12

  anjo

por Jorge Oliveira



quero-te como um anjo

pura de corpo e alma

mas fraca nas tentações

dos pecados da carne

que os discípulos de Lúcifer

exortam em virgens santas


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20
Nov12

és pura melodia

por Jorge Oliveira
 


escrevo a melodia
na pauta por entre as linhas
do teu busto
as notas semibreves
do meu breve olhar
sobre o teu corpo
de curvas cheias
escritas em colcheias

transcrevo o vibrar
da tua alma
os tons fracos e fortes
do teu suspirar
os timbres agudos e graves
do teu prazer a gritar
em sustenidos ou bemóis
na escala de sol maior
por entre um mi menor

e nesse compasso
simples ou composto
o teu  ritmo certo
em andamento
ora lento ora alegretto

fazes sentir o orgasmo
violento explosivo
das vibrações inexplicáveis
que sinto nos meus sentidos

és pura melodia
escrita nesta vida
na partitura de um poeta
que a queria sentir dia após dia

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19
Nov12

uma e uma... vez mais

por Jorge Oliveira


olho-te
desvio o olhar
olho-te de novo
uma e uma… vez mais

quero-te
não te tenho
inquieto-me
implorando-te
sem palavras

acaricio-te
de mãos vazias
ouço-te gemer
gritar de prazer
em segredo

beijo-te
neste instante
mordo    sugo-te
teu peito ao meu
prendo   aperto
sem um corpo teu

agarro-te
lento    fugaz
entro    saio
dentro de ti
e         amo

com este olhar
sensual    animal
sem me importar
se faço bem ou mal
uma e uma... vez mais

cansado pelo vai e vem
sinto o ultimo gemido
o suor escorrido
do prazer sentido

é olhar de luxúria
entre os meus olhos e os teus
que enlouquece o desejo
neste atrevido silêncio

uma e uma… vez mais

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15
Nov12

poder de dois corações

por Jorge Oliveira


se o tempo se perdesse
não me recordaria desse amor
será um segredo escondido
entre o passado e o futuro

mas a paixão que se sente
no meu horizonte presente
abalam todas as dúvidas
do que ficou para trás
e do que há-de vir para a frente

um olhar que não esconde a calma
de um sorriso tirado ao coração
pela sua delicada mão
e que rompe um beijo nos lábios da alma

existem tantos amores  que não compreendo
e esqueço os sonhos das minhas paixões

que importa o que passou ou há-de vir
não se esquece um sorriso simples
que alegra meus olhos tristes
e o silêncio imortal de um olhar
que estremece os sentidos
quando copulo com as emoções
das minhas mais puras imaginações

com o poder de dois corações  



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15
Nov12

quem és tu mulher

por Jorge Oliveira


             I

quem és tu
corpo elegante de mulher
que enfeitiças os meus sentidos
e calas os meus gritos
 
quem és tu
fragrância de flor
que desperta tanto ardor
a este meu corpo
que por ti sente tanto amor
 
quem és tu
brilho de diamante
que na rua onde passas
os teus olhos negros e profundos
só o sol os pode beijar

quem és tu
dona do teu caminho
serás a figura da noite cruel e furtiva
ou a paixão de um anjo destemido

 



              II


levas contigo
apenas um silêncio doce
que deliciosamente
satisfaz minha alma

os teus seios firmes e cheios
as pernas esbeltas em saltos altos
subtilmente fazem nascer esteiras
de folhas de outono a teus pés

exalas um sorriso sedoso
sentes desejo no corpo
que se revela no teu sereno rosto

e nessa rua onde vais
esse teu corpo a fragrância
e o brilho de diamante
vieram falar comigo
com as folhas de outono:
é tão belo este meu desejo
e a constante paixão
a senti-lo tão sozinho

não detenho poder em ti
mas o punhado de estrelas
que se avistam por entre as nuvens
e as sombras das ondas do mar
que vêm com vento frio
trazem-me consigo o romance
de uma bela e linda mulher
perdida no meu deserto

talvez o feitiço desta noite
nebulosa me dê uma gota de chuva
para eu poder saborear uma lágrima tua
sobre um tapete de ceda nua
no meu harém de vidro
com os teus íntimos segredos
e doces gemidos
em romances proibidos

fiquei escravo do teu olhar expressivo

quem sabe discreto ou efusivo
de um aparente anjo ou de um ser
pérfido completamente maléfico


quem és tu mulher


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