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15
Dez10


















num dia em que dormia
ao lado de um santo
pedi ao céu que me mostrasse deus 
amaldiçoado apóstrofe (ou seria lúcifer)
- tremeram montanhas na minha boca
um violento sismo se deu
minhas mãos destruídas em cacos
as palavras abanaram na minha alma
e um alucinante desmoronar de letras
caiu dos céus como pássaros na vertical
mantive-me intacto sem receio
não queria desviar-me do purgatório
na espera de me transformar numa prosa:

- meu sangue foi consumido a jacto
começara o tempo em que me sentia morrer
não se ouviu gritos nem o meu gemer
tudo era um branco de silêncio devastado
e num crepúsculo vertiginoso
surgiu a ausência sideral de tudo
e sumptuoso fulgurar de nada

ainda hoje tento me reconciliar
soletrando palavras com deus
- não quero sentir mais terramotos
as minhas marcas já são tantas
há uma alma dorida fragilmente protegida
por ligaduras feitas de leves enganos
um coração que bate e não bate
entre um e outro pensamento de revolta
este prolongamento incompleto de mim
não exausta nem exala a perfeição de deus


ainda temo a calamidade deste estremecer
ainda sinto o imperfeito e a pecar vou morrer

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14
Dez10

a balada que para ti toquei

por Jorge Oliveira

















deixei a janela aberta

e os teus sapatos vermelhos

em cima do piano

com a partitura da balada

que para ti toquei

quando chegares

se a quiseres recordar

deixa o vento entrar

ele tocá-la-á para ti

na clave de sol

em dó bemol, mi menor e si...

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13
Dez10

destino ou acaso

por Jorge Oliveira


















podem-se criar palavras
mas ficamos sempre sem saber
qual o sentido de que destino ou acaso

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11
Dez10

será esta a forma de te amar?

por Jorge Oliveira




















esta forma de te compreender
de te poder ouvir sem pensar
de te encontrar sem te procurar
de te sentir sem te ver e sem te ter

será esta a forma de te amar?

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10
Dez10
















é difícil este controle sobre os pássaros
inquietos fogem das mãos aos bandos
a tua tristeza submissa desfaz a chuva
nas ruas abandonadas pelos miúdos descalços
um sangue coalhado na árvore que se dissolve
nas palavras que partiram num dado momento

voltas de novo para a despedida
tantas vezes por ti já sofrida num adeus de partida
um momento findo tantas vezes começado
num tempo que ainda faz sofrer este tempo

um olhar de renuncia entregue à fantasia
de um sonho de procura do ser desaparecido
avança a duvida desta incoerência da vida
as folhagens abanam sem que se faça sentir vento
e a paisagem que deveria lá estar desaparece

este lugar inóspito de imagens inúteis
torna-se mais irreal quanto mais real é

como podes tu compreender o sucedido?

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09
Dez10

vejo-te nos meus olhos

por Jorge Oliveira


















se não posso sentir
o teu corpo
com esta ternura
que sinto por ti
deixa-me ao menos
ser o lago onde
te banhas nua

deixa-me subir
às colinas dos teus seios
pousar a minha boca
na cereja de teu ventre
e beijar o perfume
que colho da flor
do teu corpo

beijo a água que se espalha
em volta de tua pela nua

alongo os dedos
para desvendar os segredos
onde misteriosamente te insinuas

levo minhas mãos ao rosto
e vejo-te nos meus olhos

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08
Dez10

este é o dia

por Jorge Oliveira


























haverá um dia
em que te darei a mão
e levar-te-ei comigo
ao outro lado do infinito

haverá um dia
em que te irei dizer
sussurrando baixinho ao ouvido
o lado de lá do verbo divino

haverá um dia
em que eu te darei o beijo
que guardo nos lábios (mais não pode ficar)
onde está um outro lado do sentido de amar

haverá um dia
em que eu queria ser o outro lado de mim
este é o dia

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07
Dez10

liberta-me

por Jorge Oliveira


























esta paixão profunda
que trago dentro de mim
não existe ainda aqui
está pintada num quadro
que ainda não foi exposto
e dentro de uma melodia
que ainda não foi ouvida

só o medo da dor
de não te poder ter
me aprisiona nesta armadura
e me prende os gestos
os meus passos em direcção a ti

tenho medo de cair na lama
e não mais poder levantar-me
a quem na verdade me aclama

é tão grande e desigual a distância
desta defesa que protege a alma
em luta contra o coração em chama

liberta-me

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06
Dez10


























este súbito pensar de ti
penetrou pela rua
logo pela manha ao sair de casa
na forma de luz fosca do sol
encostando-se ao meu peito

e cambaleei o dia todo
atordoado pela ferida
que sangrou a toda a hora

à tarde quando entrei
espalhou-se pelo chão e paredes
a demorar o sofrimento
de quem ainda não tinha
sucumbido neste dia à vida

agora desceu a noite
e não temo mais a dor
aguardo em silencio
o rasgar desta ferida
nas margens de um pequeno rio
onde as estrelas vêem dormir
de lado a minha alma
é mais uma noite
em que não queria despertar
porque a noite leva o dia
e eu posso sonhar

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05
Dez10

sei que existes

por Jorge Oliveira



























eu converso com a imagem ausente
pendurada na parede fria
desta sala vazia onde estou presente

a imagem não se move nem respira
mas acredito que não é uma mentira
ela irá falar para mim, é verdadeira

e o tempo passa sem nada acontecer
já não creio, esta imagem deixou de ser
a imagem dos sonhos que eu ando a ter

talvez a imagem não exista
afinal nunca respondeu ao meu desejo
talvez seja eu um ser autista
que tão pouco sabe se existe
nunca me vi por ai
(os espelhos nada sentem de mim)

só sei que te sinto, é tudo o que sei…
e percebendo este sentimento,
que não é pensamento, sei tudo o que chega

para saber que existes

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