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29
Nov10

é minha a cereja deste poema

por Jorge Oliveira


















podia chamar-te princesa
e sonhar-te às noites
com “o feliz para sempre”
mas princesas não amam poetas

prefiro chamar-te cereja
apenas uma forma mais doce
que outra qualquer que seja
e “feliz para sempre” fosse
com essa cor e gosto que inveja
outros lábios que não os meus
já que seria eu a morder os teus

é minha a cereja deste poema
e na ponta dos meus dedos
nascem flores de cerejeiras
à beira mar

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28
Nov10

só eu sei de ti e de este amor

por Jorge Oliveira





















não te posso tocar
deixei de querer a noite
apenas gestos de geada de madrugada
a abandonar meu corpo tentador
eu jamais te poderei ter…

mas posso sentir-te
e sentindo-te sei da minha alma
fingindo ler-te num livro qualquer
em forma de romance sempre inacapado
que escritor algum ousa converter
na memória de um poema ou canto…

… só eu sei de ti e de este amor

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27
Nov10

faz-se inverno

por Jorge Oliveira
















faz-se inverno
e cada vez mais sinto o frio
do azul do céu
que se afundou no mar
e sinto tanto e tanto frio
só me resta queimar
a lenha do meu coração
para aquecer minha alma

e assim vivo morrendo…

já não me batem os dentes
não me arrepia a pele
e o fogo vindo de dentro
já me queima a boca
cega-me os olhos
rebenta-me os tímpanos
e entranha-se nas narinas
até chegar as mãos

e a poesia inflama...

os sentidos moribundos
foram apenas sentidos
a chuva que cai lá fora
que me leve ao rio
e outra Primavera.

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25
Nov10

























como foi que te encontrei
se dormes num sono eterno
da memória do teu amor?

olhei teu olhos… e vi
(não sei se me pedistes
ou se fui eu que quis ouvir)
o teu frágil silêncio
a gritar o nome de quem partiu

e eu tão pouco sei se existes
onde estás, onde vives
só sinto a dor que habita em ti
por quem aqui já não está
e no silêncio as horas
embriagadas de ausência...

nos meus olhos o desejo
de chorar as tuas lágrimas
docemente e baixinho
sobre o teu peito
(mas tu não vives em mim)
só es mulher e não poema
sentimentos de condolência
que minha alma sustenta

nos teus olhos a tristeza
de um negro passado
que quer dizer adeus a um sonho

e os teus olhos me dizem tanto
- o quanto sofre um coração
quando o sonho vai morrendo
e o silêncio de um olhar
a trazer a alma vencida para a vida.

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18
Nov10



















apenas queria escrever eternamente
mas, como sempre, não encontro palavras
para exprimir este meu sentir tão presente

oh lua! peço-te tira-me desta aflição!
com os teus raios de luar
escreve pelo tempo esta minha emoção
de tanto sentimento que não sei explicar
e tão pouco consigo começar
as palavras que não quero acabar

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17
Nov10

não me lembro de ser alguém

por Jorge Oliveira

estremece-me a voz
vejo Satã a tentar-me
neste lento triunfo da noite

minha alma rebelde
é ponta de lança afiada
na tentação suicida da carne

este principio de vida frágil
ferve o ébrio sangue
em doces esguichos de prazer
derramados sobre os túmulos dos anjos

esta paz calma do nada
acorda belas virgens nuas
por baixo do cetim branco
espreitando entre os vidros sujos
das janelas inebriantes da eternidade

e vem gelada a borboleta de bronze
num voo que trespassa a lapide de mármore
e renova-se a vida num pedaço
de tempo que lhe falta…

e o vento frio e invisível da noite
sopra a memória do meu fantasma

já vos disse, não sei se já vos disse?
não me lembro de ser alguém!

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15
Nov10

vem-me este sabor

por Jorge Oliveira


















vem-me este sabor
de silêncios à boca
e o teu olhar penetrante
em meu medo calar as palavras
para as poder ouvir
e sinto o cheiro da tua alma
perfumada de luar
e só assim chego até ti

mas eu tenho que daqui partir
tenho receio de por ti poder
sentir um amor eterno
tão intenso aos meus sentidos
tão demasiado à minha alma

e me faz temer mais ainda
por ser tão breve esta vida
tão frágil este viver
que não sei se lhe resisto
e se o posso deter
pois é tão imenso este sentir
(não, não o queiras sentir!)
em tão pequeno ser
em mim ele não pode caber

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14
Nov10

aqui não estou

por Jorge Oliveira





















aqui não estou
é um enganos dos corpos
recorrerem a procura das almas
as almas ocultam-se no sangue virgem
das palavras por dizer
e fica um sentimento por explicar
os corpos exibem os seus atributos
aos desejos dos sentidos
acabando numa violenta sensação
de excitação da carne
e aqui não estou
separei-me algures num poema
entre o corpo e a alma
e registei esse divorcio
no cartório do meu silêncio

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14
Nov10

num domingo de novembro

por Jorge Oliveira



















olhava de frente e de lado
queria ver um homem amado
por tudo o que ele já havia deixado

não consegui encontrá-lo
senti apenas o silencio atordoado
que um dia foi raptado e aprisionado
nas margens da loucura da lua

e num domingo de novembro
apareceu aqui sentado ao meu lado
abandonado num papel na calçada…

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14
Nov10

era preciso este vazio

por Jorge Oliveira


















era preciso este vazio
eu tive que morrer
para voltar a viver
voltei por outra porta
ainda não me reconheço
ainda não sei quem sou
apenas sei que aqui estou
mesmo que não exista
já na outra vida
e aqui estou
à espera de morrer de novo…
vá, chamem por mim….
- mas com cuidado para vir devagar
eu não sei se vim pelo mal

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