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28
Out09

outros que tais

por Jorge Oliveira



















te perco nas ruas
mas conheço o teu corpo
deixa-me ousar
ser mais um dos teus homens
deixa-me te amar

não sou igual aos demais
mas também eu tenho a mais
estes ardentes desejos infernais

teus olhos não podem sentir
o que o meu corpo te pode dar
ardem forte os leus lábios
na carne que te fez mulher

prende-me aos cristais
ouve os meus ais
e não queiras outros que tais

fecha a luz e no escuro
tacteia o meu respirar
escolhe-me como eleito
este amor também é fácil

e como nos outros que tais
também te levo a delírios finais
sem nunca sermos iguais

este corpo arde, sem se ver
faz ferver a saliva na tua pele
de um querer de não te ter
nas palavras que não falo

e quanto mais me amais
mais esqueces os outros que tais
pois eu te dou muito mais

experimenta-me, atreve-te!...
este sentir a te possuir é vício maior
(e não falo) o meu falo está na tua boca
a silenciar teus lábios a rasgar o prazer

são essas as mãos que me prostituais
como fazes a outros que tais
não me digas quem são e esqueces quais

é tão grande este excesso de ti
que nunca terás dos outros que tais

jamais

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26
Out09

um outro corpo em forma ardente

por Jorge Oliveira
























São as palavras que me fogem
se recolhem no pensamento
tornando intocável o sentimento

São as sementes da solidão
que crescem nos jardins da ilusão
de águas paradas na paisagem do tempo

São estes os últimos murmúrios
do corpo humano rendido à paixão
displicente ao tempo fora do tempo
somente à espera de reconhecer na mente

um outro corpo em forma ardente

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24
Out09

só quero vê-la

por Jorge Oliveira





















só quero vê-la
diante de mim
no distante
que estou de si

quem dará
aos meus olhos
um olhar
de trespassar horizontes
ao longe
onde vive ancorada
uma palavra sem som

à espera de um corpo
no último ângulo do mar
onde ventos de ternura
sopram seus cabelos

na leve ausência
deste tempo e espaço
galga a insinuante lua
provocando nos sentidos
os seus doces delírios

inquieta e semi-nua
os meus olhos
inventam os seus
num contorno de mulher

este distante
que estou de si
começa aqui

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23
Out09

tenho pena

por Jorge Oliveira

























tenho pena de não ser
as tuas mãos quando
acaricias teus seios
os teus dedos
quando masturbas
teu sexo

não tenho pena de não ser
teu corpo nu frente ao espelho
só queria ser a alma
que te possui nesse momento

é tudo o que queria
é tudo o que bastaria
apenas a tua alma

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13
Out09

hoje não queria

por Jorge Oliveira



















hoje não queria
escrever palavras
queria apenas
dar-te as minhas mãos
num poema com o toque
dos meus dedos:
nos teus seios, nádegas
e na tua pele fina e lisa
do teu corpo em fio de voo
para adormecer com a lua

és bela
(insustentavelmente bela)
faltam-me as mãos
e faltando tudo isso
faltam-me as palavras
(até as palavras emprestadas)
e fico neste espaço
de horizonte
entre a lua e este poema
sem te conseguir tocar

só com a flor do silêncio
consigo beijar tua boca
e juntar teu corpo
às palavras que não escrevo

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13
Out09

que venha alguém

por Jorge Oliveira






















que venha alguém
mesmo que seja ninguém
calar este silêncio
que grita em mim neste momento
que venha agora e não tarde


...este silêncio arde!

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12
Out09

este fim de estação

por Jorge Oliveira
























despe a árvore
o calor do verão
vejo-te com o vestido
branco transparente
a moldar teu corpo

senti neste verão
o sangue da lua
no negro triângulo
húmido do calor do sol
a reflectir nos teu cabelos
deitados para trás
e as tuas mãos
a segurar teus seios

ainda te espero
neste outono
lembrando as tuas nádegas
redondas como o fruto
maduro e apetitoso
da estação

agora desnudas o sexo
das folhas que caiem
teus lábios ficam
a descoberto
como desejosos sucos
à espera de serem provados
antes de comido o fruto

sabor de clítoris esmagado
de onde se extraiu o vinho
das vinhas que crescem
ao lado das dunas da praia

hoje, engolindo humedeço
a boca seca do calor
escaldante desses dias:

sufoca-me este outono
esbracejo-me nos delírios
dos gemidos, dos gritos,
dos silêncios violados,
dos sonhos inacabados…

é outono
e eu perdi a coragem
de te olhar uma vez mais
(o verão é ousado)
o sol encharcou-me de luz
e agora correm as lágrimas
nas pétalas da saudade
que descem no teu corpo nu

este fim de estação
é terrivelmente árduo
obriga-me a fechar os olhos
e deitar todo este espasmo
sobre mim, mas foi assim

este fim de estação

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10
Out09

esquece-me

por Jorge Oliveira

























esquece-me
nesta manhã de sol
em que o silêncio acolhe
o que não pode alcançar

esquece este desejo insano
da nudez do teu corpo
deste Outono
esquece os meus sonhos
para que eles não envelheçam
com o meu corpo
esquece este segredo guardado
no enigma do silêncio dos segredos

são talvez os pássaros
os pássaros
que me trazem este fim
este último perfume deste dia
em que eu sei que tu sabes
que eu não sou eu
mas apenas um reflexo
de um instante de amor
reflectido no abismo do silêncio
da solidão destas palavras.

esquece-me

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09
Out09

juízo final

por Jorge Oliveira

























é iminente este desabar de sentimentos
palavras que ainda não são palavras
que não se separam do mundo imundo
do corpo preso nas sombras dos navios

este estar é ser num repouso irrequieto
num vazio esculpido na orla da vida
tudo está imerso nesta inquietação
na palavra dura e crua desta humanização

cai a última inocência perdida
e num templo ajuízam-se os culpados
lúcifer desejoso de queimar o perdão
transfigura o sujo do mundo na origem
nos presságios exilados na ferrugem
a lavar as mãos na árida avidez da consciência

se uma palavra ao menos pudesse descobrir
a transparência nítida das coisas
uma vontade de salvar esta desordem
sossego que nenhum deus se atreve a quebrar

nada mais sei dizer deste descontentamento
o mundo ainda não julga as palavras por igual
até ao dia em que as vai escrever no juízo final

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08
Out09

instante

por Jorge Oliveira
























tão breve este momento
que já se perdeu no começo
um excesso de ter o instante
a terminar este sonho no princípio

...

compõe-se o acorde no instrumento
só a cor da musica fica

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