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31
Ago09

teu corpo mudo

por Jorge Oliveira

















teu corpo mudo
a voz da minha palavra
gaguejada
pela sensualidade
louca que me assombra
deflagra tempestades
de desejos intensos
gemidos da sombra
do prazer violável
tremo, vacilo
no movimento da palavra
para o corpo
frenético agitado
êxtase de delírios
na penetração funda
dos teus encantos
desprendes agora
teus cabelos sobre ombros nus
repousas nesta página
em silêncio e adormeces…

fico eu para te olhar
corpo de menina violada
mulher arremessada de pecado,
grito de um mar para outro mar
para as águas poderem chorar

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30
Ago09

ilha de papel

por Jorge Oliveira

















ilha de papel
perdida no mar
só tu e eu
no imenso azul
o teu rosto é o sol
que refresca a tinta nua
do branco das folhas
e nos arabescos dos peixes
chega teu corpo desnudo
só com o silêncio nu
que me prolonga a vida
e me faz respirar
ai perdido na ilha
através do desejos do mar
e o pensamento do vento
estás presente
na presença da ausência
sou eu em silêncio nu
em obstinado desejo
ávido do teu corpo

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26
Ago09

Existe nesta noite um silêncio

por Jorge Oliveira
























existe nesta noite um silêncio
a unir o nosso olhar.
Este instante entre a palavra
não dita e este silêncio
fere um amor não começado
em vazio de leve iminência.
Eu sei que te amo só esta vez
e por ti percorro toda a distância
entre o teu silêncio e o meu.
Quando chego repousas as palavras
e falamos calados unindo os lábios
Neles leio um poema de fogo
e no respirar do som da noite
escuto o perfume de teu corpo.
Olho-te outra vez nos teus olhos
a cintilar o alvoroço ávido do amor
deito-me contigo no leito dos anjos
e adormeço na noite dos sentidos
até ao acordar da madrugada dos sonhos
Mas perdi a chave do meu secreto jardim
repouso agora como prisioneiro invisível
tenho demasiado corpo e alma
terei que viver à beira do meu ser
a sentir o odor da carne amada
a calma de uma outra vida
(absinto corrosivo de sonhos)
no livro que tens ao teu leito
e diante de ti todas as noites
dou-te a última palavra e o último olhar
até ao apaziguante bálsamo da madrugada
no suave recontro dos líquidos deslizantes
que espreguiçam teu corpo nu nos lençóis
e em silêncio digo ao teu sedutor olhar
- Eis-me aqui sempre, eu vim por ti!.
Será o sonho ou apenas o silêncio a falar por mim?
Ouço uma voz do além-vida
a tentar chamar por mim
Será que existe, será que és tu?

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25
Ago09

Nunca deveria ter olhado

por Jorge Oliveira
























Nunca deveria ter olhado
o teu olhar castanho deslumbrante
apenas deveria ter ficado calado
a sonhar teu sorriso lentamente
e torna-lo só meu apenas para sempre

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24
Ago09

sinto em ti momentos inquietos

por Jorge Oliveira

















sinto em ti momentos inquietos
o princípio ou fim de um sentimento
um sonho esvai-se antes do tempo
um medo de dor desaba na tua alma

eu atiro no escuro a minha flecha
não sei, não tenho a certeza,
de rasgar a esperança dos sentidos

devo eu perseguir o teu corpo ferido
que apela a um anjo a salvação
desse tormento onde morrem deuses
nos sonhos que ficaram esquecidos
em imagens perdidas nos teus olhos

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19
Ago09

sonhas dentro de mim

por Jorge Oliveira
























Sonhas dentro
das minhas veias
e deixas-te fluir
com teus encantos
nesta manhã dourada
de Verão

Matas-me a sede
com tuas formas
quentes e salgadas!
(um sopro
na tua sombra
desfalece este dia
de Agosto)

E é quase sol-posto
e neste ardente fogo
a luz das horas
já consumidas
brilham agora na nítida
firmeza de teu corpo

e mais uma vez
num dia de verão
eu te dei meu sangue
para seguir tua imagem
e relembrar teu rosto.

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13
Ago09

palavra ausente

por Jorge Oliveira


















palavras
ficam por escrever
gelam na mão
como laminas pontiagudas
que perfuram a mente
e corroem a alma
só o coração
fica a bater
na página branca
do poema
da palavra
submissa
ao sentimento
excesso de poesia
invisível
na visível ausência
da palavra.

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12
Ago09

Lambe-me a brisa

por Jorge Oliveira

























Lambe-me a brisa
nesta noite quase fria
caminho embriagado
pelo azul que bebi do dia
as sombras cheias de melancolia
hospedam-se no meu silêncio
a palavra incerta
acolhe o pensamento
e respira o hálito do vento
com uma lufada de odores
vindos de corpos quentes.

Ouvem-se latidos abafados
apanágios das feras
que assaltam pocilgas
e a noite nada de novo revela
e assim continua
a aparência da vida.

Insignificantes estas palavras
que acabam, como sempre
a não conduzir a nada
eu apenas sei
que sou o primeiro e último
a caminhar nesta estrada.

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11
Ago09

contradição do amor

por Jorge Oliveira
























amo quem nunca amei
e amei uma só vez
nos instantes
ainda não consumados
este amor sempre amado
peca por ser demasiado
perpétua contradição
deste amor tão profundo
sempre e sempre inacabado.

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10
Ago09

Um olhar sobre ti

por Jorge Oliveira

















Um olhar sobre ti
imensos desejos
para consumir
teu corpo
num oceano vazio
por entre rochedos
que espalham
ecos dos teus orgasmos.

salva-me deste vazio
faz teu corpo de mulher
o ventre dos filhos
crepúsculo celular
dentro de outro.

a cama desfeita
pela vontade louca
da sede do sol
que engole a noite
pela manhã.

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