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29
Mai09

a fonte das palavras...

por Jorge Oliveira



















Já passei o meio da vida
não me dói o corpo
o sol ainda brilha
Quero regressar
a onde nunca fui
aos lugares que não conheci.

Lá longe
onde longamente contemplo
a sede do rio de poesia
vindo da fonte que não bebo.
Apenas pudesse eu lavar
as minhas mãos
e limpar meu rosto
nas palavras…

Mas são outras as águas
que se agarram a mim
aquelas de gotas de cristais
que se quebram quando falam
e rasgam os meus lábios
nos suspiros da sua pronuncia.

Vou morrer qualquer dia
(ninguém escapa a morte)
mas o Pessoa e outros tais
beberam da água desse rio
que eu apenas contemplo
e jamais alcanço…
(satisfaz-me simplesmente saber
que eles não esgotaram sua sede).

Naquele lugar
não vão partir caravelas
ou barcos imensos
apenas versos azuis
para mares incertos
rumo a jardins náufragos
nos oceanos de todos
os universos para além do universo

Eu contemplo esse lugar
nunca será meu…
mas irei lá voltar
vou querer sempre
uma e outra vez mais espreitá-lo
por detrás da folhagem branca da floresta
aquela fonte de água viva
onde nascem as palavras
que não são minhas.

Não importa viver nesta mentira
se por pouco muito pouco
eu posso ser a criança
a sentir o lugar
onde nasce, vive e dura a poesia.
Mesmo sem a metade da vida
dá sentido a toda a vida.

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28
Mai09

se eu soubesse...

por Jorge Oliveira






se eu soubesse dar as palavras
o seu sentido certo eu não estaria incerto desta certeza que se recusa a escrever

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