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30
Jan09

LUZ DO HORROR

por Jorge Oliveira
























Estranha ambição

esta de querer juízos
em subtis estados
defraudadores de equilíbrios
de ungidos passados.

Estranho vício

este de fantasias dos sentidos
que me arrepia e cala
as lunações dos silêncios
que jorram na minha fala.

Estranha doença

esta que me tira a presença
deste corpo paralisado no mundo
no templo profanado da minha crença
onde se prega o verbo surdo e mudo.

sim, sinto estranha dor

que me faz chorar sem qualquer lágrima
será este o choro da dor de amor
pelos vivos que não têm alma?
(sim, esses que matam com a luz do horror!)

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29
Jan09

porque me desfazem os sonhos

por Jorge Oliveira





















porque me desfazem os sonhos
em lágrimas laminadas de bisturi?
porque me falham as palavras
quando mais preciso delas aqui?
onde estão os sonhos e as palavras?
já não durmo nem soletro
faço peregrinações à alma
tudo o que trago é desalento.
(não há milagre que me valha!)
resta-me a sombra imaginária
da lágrima que anteviu a tempestade
e da palavra que foi quase saudade…

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28
Jan09

OS TEUS OLHOS NOS MEUS

por Jorge Oliveira

















és deusa dos efémeros desejos
que se esconde atrás dos palcos.
eu pertenço-te com uma mão que perdi
que nua em teu rosto pousou,
como asa de pássaro quebrada
em cima de ramos de amendoeira.
e só na outra parte da memória
os meus dedos tocam teus lábios
em míticas e enigmáticas melodias
como se fosse um concerto de harpas
em que o maestro da batuta
conduz a sinfonia na avidez do teu olhar
e ouvem-se sons ancestrais de violino
vibrando com o impacto da luz
dos teus olhos nos meus.

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27
Jan09





















na terra húmida caminhei com os pés atados
no monte, entre estevas, me perdi
não tive medo do dia nem da noite
e senti a chuva de um poema faminto
ao longe escutei a coruja e um rato
lutando não sei que lua ou sol do amanhecer
dei a mão a uma estrela escondida entre as nuvens
e adormeci num sono tranquilo
e o medo de dormir vigilante saiu de mim.

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26
Jan09

falei com o vento

por Jorge Oliveira
























falei com o vento
para me levar num sopro,
mas meus versos estão pisados
e no chão da terra ficam atolados
…eu não fui com o vento

aqui fiquei!

troquei as manhãs
nascidas rente à raiz
por um sonho escuro e infeliz
adestrado pela distância do momento
… eu não voei com o vento

aqui fiquei!

não vi o sol no horizonte
a despenhar-se nos campos
fiquei com asparas espigas de trigo vazias
a arder na tempestade de loucas utopias
… o vento ateou mais o fogo

aqui fiquei!

e queimaram-se as palavras
que falavam com o vento
entre os detritos do centeio e um grito
encarniçado na baba da destruição.
fiquei devoto a uma ilusão…
… o vento não me respondeu

e eu daqui sai…

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23
Jan09

O DIFERENTE É IGUAL

por Jorge Oliveira





















As minhas mãos são de barro
tentam esculpir outras formas
de sentir a poesia…

Moldo formas iguais
e já não sou capaz
de ser diferente
a criar formas reais
ou imaginárias…

As palavras ou se derretem
com o calor imenso da fornalha
ou se partem com frio da alma…

Pego nos cacos
e fechei-os dentro do armário
restam os utensílios desarrumados
na angústia e tortura
das páginas do livro branco
borrado e pisado pelos tempos
(nem há formas de medos!)

Já não posso mais…
As minhas mãos são de barro
os meus sonhos estão partidos
e os meus dedos estão quebrados

Só o forno aceso
a queimar a mentira de um passado
espalhando cinzas pelo fundo
na procura de um novo futuro

As paredes da minha oficina
olham para mim pasmadas:
nem o próprio tempo
apagará estas imagens
que não criei nem existem
- o diferente é sempre igual!

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22
Jan09

HOUVE...

por Jorge Oliveira
















E a chuva recomeçou
com ela veio o vento
os relâmpagos e trovões
como quem resmunga comigo
em oitavas superiores
de agudas sinfonias
numa ansiedade
infrene e desastrada

Agora, tudo são escombros
que carrego aos meus ombros:
de um outrora coração
que te penetrou
e um corpo que te amou
E entre um silêncio
e outro te sonhou
num tempo que já passou

E a tua imagem embaciada
esboça a palavra branca
de uma quase saudade
e de irrisória dor

E vi uma luz vinda do céu
Seguida de um bramido
Que se espalha na cidade inteira
Será revolta ou será sentir?

A chuva desaba mais intensa agora
Talvez seja das lágrimas
que vêm com o cair das águas…

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21
Jan09
algures num lugar entre a terra e o céu há uma árvore caduca que nasceu
e que morre quando em vez para voltar a sentir o valor da vida que alguém lhe deu.

… e assim sou eu!

Nunca a vi por ai, não a conheço…
… mas chega até mim a sua vida e morte.

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20
Jan09

MULHER BONITA

por Jorge Oliveira


























Há tanta mulher bonita
fazendo amor por ai
olhos a passar na minha vista
indiferentes ficam de mim

Mulheres de corpo a arder
que nunca me dizem sim
outros machos vão querer
para se entregarem até ao fim…

Desejos que se encobrem
por detrás de um breve olhar
vontades de sentir corpo de homem
em outro exigir de amar e gritar

Desnudam seus seios
- nem os deuses mandam em si
tornam sedosos os arrepios
(há sempre quem se perde assim!)

O corpo faminto se entrega
esbelto, nu pede o desejo
e mais se afirma, menos nega
euforia da forma que não é anjo

Roupa despida ou por despir
roupa rasgada ou atirada no chão
apenas bem fundo querem sentir
o falo que lhes dá tanto tesão…

E eu aqui masturbo as palavras,
de quem neste momento é amada
em outros lugares e camas várias,
a sentir tudo e não sentir mais nada.

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19
Jan09

O ÚLTIMO BEIJO

por Jorge Oliveira
























Procurando por mim
pedi à sombra
do esquecimento de meus lábios
para morder as raízes dos cravos
e repousar em minha boca
em bebedeiras de saliva
gaguejada pela memória
sugada em rios de seiva
até queimar o corpo
ao encontro do regresso
do sinal de um beijo
mas é tanto o azul do céu impiedoso
que me perdi por ai
sem conseguir seguir
o rasto por onde passa o desejo
e acabo de novo
sem saber de mim
e do último beijo.

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