Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


29
Dez08

PIANO EM TARDE DE CHUVA

por Jorge Oliveira
























Acabo por negar
teu rosto
e neste encontro
recolho teu corpo
nesta tarde de chuva

Serpentes loucas
filhas das gotas de água
comungam a minha sede
e a tua nudez me espera
na janela do provir

O meu pensamento
agitado de silêncio
ouve ao longe
as notas do piano
de Pour Elise

Mas, os meus olhos!...
Os meus olhos bebem
o mistério da ilusão
Um cálice sussurrante
e quente de solidão
a penetrar pela garganta
na voz da razão

A chuva que cai
vai escorrendo pela janela
e vejo teu rosto nela
tentando limpar
meus pecados.

E o piano toca...
e nunca mais acaba…

Autoria e outros dados (tags, etc)

18
Dez08

LEMBRA

por Jorge Oliveira
























Lembra-me um dia
sem que eu te peça
do verso esquecido
que no teu corpo ficou
na noite impiedosa
de tanto amor e fulgor
Certeza e paixão fechadas
na palma da mão
Não estendas então
essa memória de palavras
onde vindas do nada
cada se transformou
cuidadosamente lapidada
pelos corpos em verso nu
banidas de qualquer tema
onde coube a vida inteira
outra vida de outra maneira
apenas sentida num poema,
escrito nesta lembrança sem lema.

Autoria e outros dados (tags, etc)

17
Dez08

OLHAR SOBRE SEU CORPO

por Jorge Oliveira






















Aquele olhar no seu corpo à janela
Seus cabelos sobre os ombros nus
Explodiu tantas sensações à meia-luz
Oh como eu a quisera sedutora e bela!

Que vontade imensa de ser só dela
Qual Afrodite que a todos seduz
Meus olhos foram chusma de zulus
Em corte subtil de alguém que apela

Oh como eu vi palpitantes seus seios
Que suas mãos escondiam bem cheios
Dentro do soutien negro a colar ao peito

Em castidade ardente velei outro mundo
Onde senti meu membro erecto lá fundo
Penetrando seu sexo deitado no seu leito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

16
Dez08

ORA RESPIRO ORA SUFOCO

por Jorge Oliveira




















Tão perto sinto
a vida como a morte.
Estremece o meu ser
de puro prazer
por tanto viver
ou por estar a morrer?
Ténue respiração
indispensável à vida,
ténue sopro alveolar
que não supera a morte.
Estado de vigila
para os sentidos alertar.

Coma vegetativo
em sono crepuscular.
Pássaro frágil surpreendido
hesitante entre a vida e a morte.
Lenta ponta de lança lançada
pelo passado de bruma passada
que continua equilibrada
entre o vigor e o terror.
Duelo aceso
entre o eclipse de fogo
e a sombra da tenebrosidade.
Curva seminal
que gera vida baseada
no corpo, no rosto,
nos lábios, língua,
seios e sexo
e nos limites da imaginação.
Veneno infernal
que rasga a alma
desventra os olhos
líquidos escorrendo do silêncio
a penumbra de um talvez…
E por ai
ora respiro ora sufoco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

15
Dez08

...MAS OS TEUS CABELOS!

por Jorge Oliveira
























Lembra quando
tocares os lábios de outro
esses teus lábios eu beijei
Quando dizeres amo-te
esse teu coração eu amei
Quando te deres ao prazer
teu corpo eu já o provei;
...Mas os teus cabelos!
- os teus cabelos -
Ainda meus dedos perdidos estão
em silêncios que só eu sei,
pousados num amor de segredos
Toca-me o amor sem uma palavra
apenas o tacto do desamparo
de uma alma que te manda recado:
- foi assim, e a ser assim:
há uma parte de mim dentro de ti
detida por entre os teus cabelos
um rumor que nunca deixarás de sentir
o som da erva na suavidade dos meus gestos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

12
Dez08

ALEGRE FUNERAL

por Jorge Oliveira
























Este silêncio triste e imundo
De quando tu me deixastes
Apagou os sonhos de um mundo
Com mágoas de uns olhos tristes

Ah, esses não levastes, eram o fundo
Do mar azul onde tu não existes
Onde navega só um amor profundo
Com limos de várias cores de estirpes.

Sonhar a vida e acordar a morte
Traz-me a saudade de sentir a sorte
Da sombra profusa deste desespero

Vai, sai agora e não venhas mais
Já ao longe se ouvem meus ais
Do alegre funeral deste enterro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

10
Dez08

A LÁGRIMA

por Jorge Oliveira
























Tinha o sentido de tudo
lembro apenas de olhar em redor
e sentir uma lágrima vinda de ti
terá valido a pena?
Bastaria estender minhas mãos
sentir o seu peso redondo
a sua superfície transparente
e pousá-la dentro da minha boca
e apreciar o seu gosto salgado
a absorver debaixo da língua
até penetrar bem dentro da alma
e rapidamente sentir o seu efeito
de nevoeiro denso informe e espesso
apreensível com a densidade opaca
do aluir vertiginoso da razão
tomado numa só porção
com a palma da minha mão,
em mim permanecerá eternamente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

06
Dez08

ANSEIO

por Jorge Oliveira
























Aquele dia em que partiste
e, quando foste,
toda a noite eu velei,
mas não te vi partir
- nem tu me viste.
Eu fiquei sozinho
a vigiar a estrada, o mar
olhos perdidos no destino
que trilhando seguiste
uma ausência longa no ar!
Partiste.
Meus olhos cheios
de longa espera
pudessem algemar-te os passos
à voz distante do meu anseio,
como ao velho muro
do teu sonho antigo
uma saudade minha se prendeu
qual folha de hera! …

Autoria e outros dados (tags, etc)

04
Dez08

O MEU PROBLEMA

por Jorge Oliveira
























Neste momento
guardo a gravidade
dos teus negros olhos
e as arestas do teu cabelo
Curvo-me perante um corpo
moldado e rectilíneo
de ângulos impróprios
à matemática exacta.
Sobrepõem-se as tuas pernas
ao triângulo da tua volúpia
e os bicos firme dos teus seios,
na blusa de alças molhada,
tentam arranjar soluções
para abrir mais uns botões.
Os pés nas tuas sandálias
deslizam nas bases dos teus ombros
vincando o ventre com lisos planos
Peço-te, pára por aqui!
Não comprimas os lábios
para em compassos loucos
de círculos de língua
os tornar mais húmidos…
… E a tua alça decaiu mais um pouco
e já nada mais consigo decifrar…
Todos os teus pontos se unem
num só obra desenhada das mãos
de quem me fez sentir o calor
e o cheiro das linhas, das curvas
e ângulos da tua pele.
As perícias das tuas formas
baralham o meu saber das ciências
(terei que rever tudo outra vez).
Agora és um problema
que tanto me atrai
que jamais quero encontrar
qualquer solução.

Autoria e outros dados (tags, etc)

03
Dez08

TOCA-ME

por Jorge Oliveira
























Toca-me, bem leve
Com a tua pele.
Não me condenes
a olhar-te para sempre
sem poder sentir a tua nudez.
Quero apenas lembrar
agora e eternamente
este momento de perfume
em que abandonas
a roupa pelo chão
que piso em mar de flores.
Surpreende-me com o teu corpo
de sol ardente que vem
acudir o fogo de outro sol.
Deixa deslizar meus dedos
nos teus voluptuosos seios.
Não me deixes esperar mais,
os meus olhos já viram demais,
em cada dia que passa
há sempre um bater aflito
de um coração cansado
de olhar sem poder tocar.
Pousa as tuas mãos
num pousar que nada vê
nem nada mais ousa pedir
a não ser um breve tocar…

Eu juro, eu não queria
mais um dia de solidão
nos olhos que fecharam
e deixaram uma lágrima
em segredo fechada na mão.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.