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28
Ago08

FUNESTA SEDUÇÃO

por Jorge Oliveira






















A vida me seduz como abismo,
E vejo nela o mal que me apavora
Sou náufrago num mar de pessimismo
Só sei beber o fel que me devora!

E vivo a perguntar qual a razão
Desta tragédia do meu ser magoado
Quero e não quero; não tenho explicação
Para este paradoxo continuado!

Este vertigem que me oprime o peito
É mais que pesadelo; é como um jeito
Que faz de mim a pedra da calçada.

Não sendo nada, todos me desprezam.
E querendo ser alguém, a todos pesam
Meus sonhos de inocência manchada.

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18
Ago08

RETRATO DE NU

por Jorge Oliveira

























A nudez corre-me nas mãos
no estremecer da caneta,
chegando por todo lado
no branco da minha tela.
Contornos lineares fazem adivinhar
o fogo da carne da tarde quente
deste Verão escaldante.
O corpo refresca no quadro,
de contornos poucos
mas que chegam para as mãos
sentirem toda a sua nudez.
Encarna o amor na ponta dos dedos:
onda branca de espuma firme
(feita de pincel fino)
adivinha a musica que atravessa
a melodia das tintas para o pintor.
Um corpo a outro corpo
se mistura no atelier do retrato
e já não incarna o amor,
apenas os tons rosados,
amarelos e encarnados,
contra um chão da paixão,
onde o olhar gasto se liberta
na respiração de uma cereja
de vermelho vivo perdido no branco.
De novo encarnam lábios beijando
bocas em tão loucos desejos:
feitos de um beijo que não foi pintado.

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 05/08/2008
Código do texto: T1113987
RETRATO DE NU

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15
Ago08

FOGO NAS VEIAS

por Jorge Oliveira
























Há rios nas tuas mãos
que desaguam no teu corpo ardente,
entre margens brancas de areia,
Peixes chegam pela manhã
em alvos de água transparente,
deixando reflectir teu corpo nu
no trigo verde que se desfaz nas ondas,
onde descansam sonhos dispersos
gozando do calor das planícies.
E os nossos corpos tocam-se
com o ar das águas e dos campos.
Não sei se és gente, corpo ou alma
Pouco me importa, neste instante,
o que afogueia as minhas veias…

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 05/08/2008
Código do texto: T1113984
FOGO NAS VEIAS

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14
Ago08

NATUREZA MORTA

por Jorge Oliveira
























Repousam rosas vermelhas
colocadas na jarra sobre a mesa,
misturam as sombras das paredes
por fios de luz que reflectem das cortinas.
O calor lá fora esquece o fresco interior
e afasta o horizonte de silêncio.
Brilham ainda vivas, é belo vê-las…
Parecem encobrir a noite que vem
com mistérios de perfumes
querendo chamar por alguém:
como pássaros que cruzam o interior
daquela vida exposta ao encovo do mundo.
Simples sentidos vividos neste dia
gravados em sons de cores e harmonia
que leva toda a essência da vida
apenas num breve segundo.
As rosas brilham sobre a mesa
como se fossem letras para mim
Amanhã é outro dia e o seu brilho já não é assim,
tal como a tela da minha poesia.

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 04/08/2008
Código do texto: T1111887
NATUREZA MORTA

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12
Ago08

A CEGUEIRA DE DEUS!...

por Jorge Oliveira




 














O que poderá ver
quem um dia cegou?
Será o seu prazer
um indeterminável voo?

Eu, porém, cego não sou:
persegue-me uma luz,
como fosse uma cruz.

Será porque vejo
que tenho essa liberdade
de sentir esse desejo
de tal infelicidade?

Bem visto, eu vejo
a vida num ensejo,
vida que tanto aborrece
quem nesta vida padece
de tristeza mal merecida.

E porque vejo;
ficou-me na memória
aquele último beijo
dado sem qualquer glória
na face da criança sem sorte
que não teve o pão presente
no dia da sua morte
(essa criança também era gente).

DEUS, diz-me lá:
- AQUI ALGUÉM SENTE! SERÁ?
se NÃO, leva no vento
este estado descontente
do meu pensamento.
Faz-me ficar calado
ou traz-me o passado
de quem eu deixei matar.

Saberei o que digo?
Ou estarei só a falar comigo?
(Não Te tenho como inimigo).
Mas, porque existe este fim?
Tudo é contrário assim:
deixa-me morrer antes a mim.

Em Ti eu pus esperança,
mas no meu grito agora se descobre:
que perdi a confiança.
Faz de mim, rico, um pobre
e depois: agora sim,
faz-me o mesmo que à criança
dá-me idêntico fim
para eu acreditar em Ti.

Se Tu não és cego, Oh Deus!
Dá-me a sentir essa morte,
não leves a criança, mas eu…
para divisar essa fome forte.

Sou só um simples mortal,
não Te posso julgar afinal!…

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 04/08/2008
Código do texto: T1111858
CEGUEIRA DE DEUS!...

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11
Ago08

VOLTA ATÉ MIM

por Jorge Oliveira



















Ando vagueando
em dormentes estados
de coma vegetal de sonhos
(fico inerte no sofá)
Se soubesses desta tristeza
se a pudesses sentir
voltavas até mim
num silêncio qualquer
só para me abraçar
Sentirias o meu corpo levitar
Entre uma qualquer palavra
(palavras que não esqueço)
vinda da tua voz de silêncio
que tanto me habituaste

Peço-te, volta até mim
Não venhas em corpo
nem tão pouco em alma
Volta na forma de ausência
em silhueta embaciada
no espelho da minha memoria
mesmo que uma lágrima de vidro
torne os meus olhos baços
mas que me faça sentir
as células dentro de mim

Vem, volta até mim
Deixa-me sentir teu corpo
em aceno ao vento
a despir-te por dentro
A desenhar teu rosto
com traços delineados
esboçando ruínas
dando forma real ao meu

Vem, vem com as andorinhas
de lugares distantes
pelas correntes de diamantes
que te conduzem até mim
com um outro qualquer fim...
Traz somente contigo o silêncio
Esse silêncio que me faz gritar
Amar! Amar!

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 19/05/2008
Código de texto: 996440
VOLTA ATÉ MIM

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08
Ago08

A CIDADE

por Jorge Oliveira

















Madrugadas
de ruídos
dos movimentos
mecânicos
da cidade
trazem
vidas
entre silêncios
escorrendo pelas ruas
olhares discretos
cheiros
intensos
escondem segredos
de almas
perdidas
até ao cair da noite
com as luzes
da ribalta
entre momentos:
- quem fica
quem vai
quem está para vir…
A cidade não
morre
nem tão pouco
descansa
e
as almas?

© Jorge Oliveira

Publicado no RL em 30/07/2008
Código do texto: T1104548
A CIDADE

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07
Ago08

NOITE DE BEETHOVEN

por Jorge Oliveira
























Chega, chega de sonhos e de tristeza.
Hoje há luar cá fora e uma musica no ar
que faz o meu coração ter a certeza
da verdade de te querer amar e amar…

Vem, chega-te a mim. Não digas nada
- nem sussurros, promessas ou segredos.
Deixa-te ficar neste momento sem fala
para ouvir as vozes dos teus silêncios.

Quero embriagar-me a beber a noite contigo.
Não temes que te deixe cá fora sozinha
Eu daqui não parto, não corro, nem me esquivo
só vou roubar à noite adornos para te fazer rainha.

Vem, vem sentir os prelúdios nocturnos
a vibrarem no vento transparente que vem
nos versos pressentidos, embora mudos,
dos acordes indefinidos de Beethoven.

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 04/08/2008
Código do texto: T1111858
NOITE DE BEETHOVEN

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06
Ago08

























Elas vêm escondidas.
Não aparecem em meus versos:
envergonhadas e recolhidas
tentam esconder seus gestos.

Elas masturbam a minha caneta,
amam-se no meu papel branco,
deixam vestígios de sémen na silhueta
a fluir na forma do símbolo fálico.

Às vezes gritam, às vezes choram,
às vezes apenas sorriem por nada;
deitadas no leito de quem amam,
se unem a ser uma única amada.

Orgasmos e intensos gemidos:
vindos de sentimentos explosivos,
mas, no entanto, tão perdidos
em busca de alguns versos vivos.

Estas são as palavras e a sua mudez,
algo que meus sentidos não entendem,
mesmo mostrando a sua nudez,
eu não as reconheço nem uma só vez.

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 30/07/2008
Código do texto: T1104550
FLIRT COM PALAVRAS DESCONHECIDAS

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05
Ago08

QUERIA...

por Jorge Oliveira
























Queria rasgar a venda dos meus olhos
e abri-los a toda a luz,
para passar incólume os escolhos
que travam os meus passos indecisos…

Queria ver mais o mundo que reluz
para além de mim, em relâmpagos incisos,
de miragem sem imagem e sem cor…

Queria não ser para ver melhor
um mundo transcendente em que toda a gente
sente que há mais vibrações e mais calor;

Um mundo sem um ponto tangencial
impenetrável à sorte universal,
um mundo sem crescente e sem vasante…

Eu queria (pobre de mim…) a angustiante
alucinação vibrante da transcendência.
Em que existir fosse a aparência
de ter os pés firmados na existência
dum solo fugitivo e escaldante…

Eu queria, assim vencido, falar alto,
gritar, sem ser ouvido por ninguém,
vencer esta barreira incerta do além
que me atormenta e morre em sobressalto!

Eu queria a palavra que dissesse
tudo o que sou… e o mundo… e os outros e tudo…
verbo que fez o todo o me fez mudo
que nada sei dizer por muito que escrevesse…

© Jorge Oliveira
Publicado R. Letras em 31/08/2008
Códido de texto: T1106791

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