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18
Jun08























Não sei se estou acordado
ou se durmo por ai em qualquer lado.
Será que o que escrevo é sonho
ou é um estado de vigília assustado?
Tão pouco sei se quero saber tudo isto,
se acordado ou a dormir eu existo!

Não conheço este sentimento,
nunca o vi antes, nem pedi para vir.
Mas já era tarde, quando percebi,
que ele já tinha conquistado a porta
que eu pensei ser inviolável
mas, sem saber, havia por ai outra chave,
tão simplesmente, capaz de a abrir.
E assim entrou em mim, enamorou-se
com uma qualquer lembrança de criança,
ali vive, ali mora e encontrou novo lar.
Canso-me com esta confusão instalada
de sentir cada célula desarrumada.
Sinto-me exausto de tanto limpar
citoplasmas cheios de migalhas de palavras
que não foram ditas por ele ou por mim.
Sem conseguirem sair dai, intoxicam o corpo
e em novelo de fio de veneno prendem a alma.

Como não bastasse, a qualquer hora do dia,
quando não se lava na alegria do tom calado
da água que envolve toda a minha aura,
acomoda-se no agasalho do vulto vermelho
do lençol de sangue das minhas veias
despidas de vida, cálidas de tristeza.

E eu, desposado de todo eterno haurido
não consigo distinguir o sujo do branco.
lanço-me no sonho sem querer acordar.
Será este sentimento o meu morrer?
Se o for, para ele também deve ser.
Pouco importa, nunca o chegarei a saber,
apenas sei que guardo uma lágrima,
escondida em algum lugar em mim,
que nunca irá cair por ele, ou por ti,
porque morrendo eu volto a viver.

Publicado no R.Letras em 19/05/2008
Código de texto: T996443
SERÁ ESTE SENTIMENTO O MEU MORRER?

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17
Jun08

(100)PALAVRAS DE MIM

por Jorge Oliveira
























Onde poderei começar,
meu sentimento contar?
Que palavras vos direi?
Escreve-las agora não sei.

O sentido das palavras
de mim eu me desavim,
não as deixo sair das larvas,
podendo me vingar assim.

Queixar-me agora não sei,
seria tudo mal contado
- tudo o que antes pensei,
no silêncio foi levado.

É certo este meu fim,
a parte alguma irei,
a caneta foge de mim.
Onde será que errei?

Não sei o quê - ou quem é
causador de tudo isto,
talvez a minha falta de fé
nas palavras que não avisto.

Não ficou palavra alguma
desta vez para escrever
irei acabar só com uma,
não se pode ler – nem ver.

© Jorge Oliveira
Publicado no R. Letras em 17/06/2008
Código de tesxto: T1038807
(100)PALAVRAS DE MIM

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16
Jun08

UMA SÓ VONTADE

por Jorge Oliveira






















É certa esta certeza,
deste meu sangue em pensamento,
a correr nas horas da tristeza
em todos dias sentida,
sem que eu percebesse o momento
da lágrima que foi perdida.

As horas que não chorei
(um homem também chora!)
presas nos dias que não amei,
escondem-se entre a alma agora,
querendo guardar todo o mal
neste lugar sombrio e saudoso,
a esconder esta dor principal
deste sentimento tão temeroso,
à espera de um qualquer final
para a vida de um mentiroso.

O tempo muda, por ventura,
bem sei, pelo passar dos dias;
mas, para minha grande desventura,
pede-me em troca as minhas alegrias
e eu não sei, se quero, se me atrevo
a deixar as palavras que escrevo
(é um engano este descanso),
este beber de eterno vício
engolindo lágrimas tão manso.
Será isto um sacrifício,
que me traz algum benefício?

A vida não muda, mas vêm os anos,
e eu tenho por esta certeza
a natureza destes próprios danos
feita de tantos pecados
(ainda que nunca tivesse pecado
a quem amo ou tivesse amado).
Quem diz que chorar descansa?
Se quanto mais lágrimas choramos,
tanto mais lágrimas logramos!
Quero ficar só com esta lembrança
da lágrima que o vento levou
- que traz de volta a esperança
nas palavras que me deixou
presas numa só vontade,
escritas na palavra saudade.

© Jorge Oliveira
Publicado no R. letras em 16/06/2008
Código de Texto: T1036655
UMA SÓ VONTADE

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10
Jun08

UHF

por Jorge Oliveira
MATAS-ME COM O TEU OLHAR

Noites frias de marfim
Noites frias ao luar
A conversa já no fim
Matas-me com o teu olhar.
Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

Sabes que esta vida corre
Como a sombra pelo chão
Nada fica, tudo foge
Ouve a voz do coração.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

São como cubos de gelo
Que eu sinto ao tocar
As palavras têm medo
Matas-me com o teu olhar.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

Com o teu olhar.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.
Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.
Com o teu olhar.

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09
Jun08

UHF

por Jorge Oliveira
AO FIM DE TANTO TEMPO

Caem chuvisco na tarde
Na esplanada da falésia
Enquanto o horizonte arde
Um barco ao largo navega

Uma vontade de ti
Que me aquece por dentro
Guardo a voz que ouvi
Ao fim de tanto tempo

O meu desejo nas mãos
De voltar a estar contigo
Olhar nos olhos a paixão
Tanto tempo perdido

Uma vontade de ti
Que me aquece por dentro
Guardo a voz que ouvi
Ao fim de tanto tempo

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09
Jun08

UHF

por Jorge Oliveira

DANÇA COMIGO

O sol a pôr-se
O céu nas águas
Os olhos parados
Na tarde calma

Será por ti
Que guardo o tempo
Neste segredo
Luz e silêncio

Dança comigo
A primeira vez
Ficarei contigo
Até o sol nascer

Quero-te tanto
Por ti esperei
Por este dia
Mil anos passei

Tu és o anjo
Que me protege
Do grande amor
Que a vida me deve

Dança comigo
A primeira vez
Ficarei contigo
Até o sol nascer

Quero-te tanto
Por ti esperei
Por este dia
Mil anos passei

Dança comigo
A primeira vez
Ficarei contigo
Até o sol nascer

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03
Jun08

UHF

por Jorge Oliveira

A LÁGRIMA CAIU

Tu sabes bem, que o amor se perdeu
Não o faças refém, foi meu e teu
Foi o que foi, o que nós deixamos
Inocentes os dois, culpados ficamos

A lágrima caiu, sem tu saberes
Por ti caiu, a última vez

A flor da saudade, que nasce selvagem
Daninha se espalha, por toda a paisagem
Por todos os recais, em todos os cheiros
Há histórias reais, de um cativeiro

A lágrima caiu, sem tu saberes
Por ti caiu, a última vez

Um dia talvez, possamos lembrar
De novo talvez, falar sem gritar

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