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28
Abr08

MENTIROSO COMPULSIVO

por Jorge Oliveira






















Quem sou? A vida não me detém
Ando por ai a vaguear a gritar por mim
Como se procurasse o nome de alguém
Por entre os labirintos de um jardim

Baralho o som da voz que me afronta
Da sombra que pensa ser a gravidade
Da imagem que nunca está pronta
Do poeta que mente dizendo a verdade

Grito as palavras, quero falar alto
O eco que ninguém quer ouvir
Verdades ou mentiras em sobressalto?
(que importa a mim? E sou o devir!)

Sou cruel, a mentir não mentindo,
A palavra que não me descreve
Ah!... Como seria alguém bendito!
Quem definisse o que me circunscreve.

Aqui sou aquele que talento não tem
Será, todavia, isto uma grande utopia?
Ou a fala irreal de um ser do além
A querer ver a vida com outra filosofia?

Serei alguém que não fala, ou viva aqui,
Que escreve o som que se retorque…
Serei sempre um compulsivo “Mentiroso”
Porque ser poeta é mentir ambicioso.

Quem tem saudade
De sentir a verdade
Sabe o que profiro
E o que não digo.

© Jorge Oliveira
Publicado R. Letras em 28/04/2008
Código de texto: T965647
MENTIROSO COMPULSIVO

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25
Abr08

UM BEIJO TEU

por Jorge Oliveira


















Hoje senti um beijo teu
Sabias a sal e a luar
Queimei-me no sol do teu olhar
Falamos do nosso tempo
Quando eras um tronco que ardia
E eu a primavera verde que nascia
Dançamos em torno de uma camomila
Arrepiámos uma meiga carícia
Num sopro à luz da noite
Até ao apagar-se da madrugada
Nas águas cantantes do mar.

© Jorge Oliveira
Publicado R. Letras em 24/04/2008
Código de texto: T961250
UM BEIJO TEU

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24
Abr08

ALMA PERDIDA

por Jorge Oliveira
























Segue-me este tormento da minha fala,
Ouvida sem falar nas palavras não ditas.
Será que tudo vem da minha ausente alma
Ou são sonhos em meras solidões eruditas?

E se são os devaneios das minhas fantasias
Trazidos na brisa suave desejada pelo vento?
Se assim for, são verbos predicados de magias
Conjugados em outra vida de um outro tempo.

Apelo ao além a todos os místicos divinos
Que nos gritos de silêncio dos seus hinos,
Ao som de violinos, digam que não sou louco.

Apenas meu corpo não encontra a sua alma,
Em contínuos murmúrios sussurrantes sem calma,
Pelo desespero de encontrá-la pouco a pouco.

© Jorge Oliveira

Publicado no R. Letras em 24/04/2008
Código de texto: T960410
ALMA PERDIDA

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23
Abr08

DÚVIDAS DE POETA

por Jorge Oliveira






















Se escrevesse poemas de amor
Que grande poeta para ti eu seria
Se me exaltasse em sentimentos e emoções
Que bonitas palavras escreves, assim o dirias
Mas eu mentiria se te falasse de amor
Porque de amor nada sei
Eu mentiria em todas as palavras
Que por metáforas, versos ou sinfonias
Tentassem transcrever o que sentia
Porque as palavras sempre mentem
São palavras vaidosas e orgulhosas
Acham-se sempre capazes de se fazerem entender
Mentira, é tão grande esta mentira
Eu não tenho palavras para te dar
Lamento este desvio, mas não consigo representar
Nada consigo escrever nesta folha de papel
Como posso eu, tu, eles, nós falar de palavras
Se não sabemos se estamos a sentir ou a pensar
Ou se estamos a pensar em vez de sentir
Se tu consegues lidar com esta indecisão
Dares cor ao branco deste papel negro
Se percebes os conteúdos das palavras
Se encontras no silêncio o seu escritor
Se descobre e vês uma luz a brilhar
Se decifras os sentimentos e o amor
Peço-te, imploro-te, mostra-me o seu autor
Diz-me que as descodifique para mim
Que me mostre o seu grande mistério
Pois eu aqui nunca consigo
Acabo sempre com as mãos frias
Imploro-te uma e outra vez mais
E talvez por muito mais te voltarei a implorar
Nem por um instante hesites
Dá-me esse enigma da resposta
Mas, peço-te, por favor,
Não o escrevas com palavras

© Jorge Oliveira

Publicado no R.Letras em 23/04/2008
Código do texto: T949322
DÚVIDAS DE POETA

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22
Abr08

FICA-ME

por Jorge Oliveira

















Fica-me o som
Por entre as palavras
Esgotam-se as almas
De espíritos longínquos
Ondas de névoa
Entre labirintos
Tudo parece efémero
Nada é eterno

Fica-me o eco
Das palavras não ditas
Ventos que sopram
Entre olhares
Silêncios gritantes
Em arenas despidas.
Almas perdidas
Em universos de magia

Fica-me o silêncio
Dos gritos vibrantes
Do ser e não ser
Do tudo e do nada
Do vácuo ao infinito
Das trevas à luz

Fico eu, ficas tu
Ficamos na multidão
E talvez não fique mais nada
Que esta mera ilusão.
De em nada estar
Mas em tudo ficar.

© Jorge Oliveira
Publicado no R. Letras em 22/04/2008
Código de texto: T957310
FICA-ME

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21
Abr08

VEM APENAS UM DIA SONHAR

por Jorge Oliveira

















Vem, nada de ti sei, o que conténs.
Chamo por ti, uma só vida não chega
Para saber quem és, de onde vens.
Vem, vem comigo, dá-me a tua mão.
Toma estas palavras cheias, não em vão.
Surpreende-me, enquanto não envelheço.
Vamos passear nas estrelas do chão
E pelo céu nos caminhos de terra que esboço.
Vem, vem assim como estás,
Nua e bela, simples como és...
Neste castelo feito de noite lilás
E por onde vais, por onde vens
Crescem rosas no pisar dos teus pés
Vem, vamos subir telhados
Fazer ventos por nós soprados
Para que tudo se torne no nosso alento
De gestos eternos em mundos desabitados.
E eu, quero ter-te assim em brumas de mar,
Em vulcões de lava que me alimento
Subindo à boca, queimando o tormento
Do desejo incapaz de se fazer acalmar.
Vem, tu e eu saborear a doce essência
Perder-nos no sono do nosso eterno olhar
Levar ao rubro a paixão da ausência.
Vem, tu e eu apenas um dia sonhar.

© Jorge Oliveira

Publicado no R. Letras em 21/04/2008
Código de texto: 795629
VEM APENAS UM DIA SONHAR

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19
Abr08

PALAVRAS BRANCAS

por Jorge Oliveira

















Fujo das palavras
que me secam a alma
que conversam comigo
antes de escrever
Discursam e discursam
lado a lado
Por fim só
O absoluto silêncio
interrompido
pelo som oco
do pousar da caneta
em cima da mesa
na folha branca
que me enche a alma

© Jorge Oliveira
Publicado no R.Letras em 18/04/2008
Código do texto: T951240
Poema sem Palavras

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18
Abr08

UM SEGREDO!

por Jorge Oliveira


















Pssiu!
Vou-te contar um segredo:
Sou eu o teu silêncio.
Não precisas dizer nada.
Vou dizê-lo baixinho,
Mesmo sem saberes,
Guardo as tuas palavras
Na minha tela colorida.
Cuido do teu silêncio
Neste sossego inquieto
Palavras já foram ditas,
Outros ficam por dizer.
Mas, o que são palavras,
Se nada nos podem conter?
Coisas na vida existem
Que não serão explicadas,
Como este silencio falado
Neste poema sem palavras
Onde tudo pode existir
...E quem sabe também sentir.

© Jorge Oliveira

Publicado no R.Letras em 18/04/2008
Código do texto: T951119
UM SEGREDO!

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17
Abr08

VEM AMOR!

por Jorge Oliveira


















Vem amor! Amor vem! Grita a minh’alma
Muito baixinho, p’ra ninguém ouvir.
Há o desejo, bem vês, bem o podes sentir,
Da vontade de te ter que não se acalma.

Espero-te aqui e agora, sem demora
Com gestos deleitosos e de grande tesão.
Leva-me ao êxtase o meu corpo em aflição
Beija-me… desflora-me a toda a hora.

Deita-te comigo na cama desta aventura,
Rodopia-me com os teus toque de ternura
Afaga o som dos gemidos deste momento

Leva-me aos infernos e a todos os céus!
Arde-me… ama-me… despe todos os véus…
Deixa p'ra lá o pudor deste querer sedento.

© Jorge Oliveira

Publicado no R.Letras em 17/04/2008
Código do texto: T949322
VEM AMOR!

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16
Abr08

INSTANTE

por Jorge Oliveira



















Neste instante vejo-te aqui a meu lado.
Vieste viver junto a mim e agora,
Trouxeste contigo uma nova aurora,
Queres ter a minha vida a teu cuidado.

Expulsas da minha frente os abrolhos
Desta estrada agreste, deste caminho duro.
Onde nada vejo, seja noite ou dia escuro
Mas tu guias-me com o olhar de teus olhos.

Como é bom sentir-me sair desta amargura,
Em forma de milagre feito com doçura.
Obrigado por teres dado a mão a mim.

Quando um dia partires, deixarás saudade,
De todo este instante de verdade.
Saudade eterna que nunca terá fim.

© Jorge Oliveira

Publicado no R. Letras em 16/04/2008
Código de Registo T947845
INSTANTE

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